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Gigantismo nos mares

Tania Valeria Gomes

23 Dezembro 2009 | 22h33

O homem mais viajado do mundo prepara-se para um excêntrico final de ano. Na companhia de sua alternativa amiga Sarah Scott e de sua inseparável mascote Trashie, mr. Miles planeja fazer uma longínqua viagem até as proximidades da Linha Internacional da Hora, de modo a comemorar, duas vezes em vinte e quatro horas, a entrada de 2010. Na próxima semana, nosso viajante conta como isso é possível. A seguir, a correspondência da semana:

Mr. Miles: li, na semana passada, sobre o novo maior navio do mundo lançado ao mar recentemente. O que o senhor acha de embarcações desse tipo?
Juarez Tillo Menezes, por email

Well, my friend, a tendência parece irreversível: eles não param mesmo de crescer. Recordo-me, a few years ago, quando vi, pela primeira vez, o colossal Queen Mary 2, na ocasião o maior de todos os navios. Eu estava em uma pequena pousada com vista para o porto de St. Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas, tomado por enormes navios de cruzeiros. Conversava animadamente com outros viajantes e bebericava meu scotch enquanto, silenciosamente, o QM2 entrou na baia e fundeou ao largo.
Suddenly, virei-me para contemplar a paisagem e levei um susto: os grandes navios de minutos atrás pareciam ter se tornado modestos iates de passeio. Havia uma cidade em frente ao porto de Charlotte Amalie e era como se, então, o porto fosse apenas um apêndice do titã ancorado.
Desde então, fellow, novos recordes de gigantismo naval são sobrepujados ano após ano. Uma grande conquista dos engenheiros que, however, significa um revés indiscutível para o glamour da navegação.
Ouso supor que os passageiros dessas metrópoles flutuantes ficam cada dia mais afastados dos mares em que trafegam. Dos elevadíssimos decks desses navios, o oceano é quase uma abstração. Não se ouve o som da água vergastando o casco, tampouco é possível acenar lenços brancos para os que ficam na lonjura disforme do cais.
São navios com ruas, praças, shopping-centers e tão variada opção de lazer que, oh, my God, sequer importa se estão de fato navegando. Os gigantes do futuro, I presume, já não terão apenas ruas, mas rodovias. Os passageiros poderão alugar carros e viajar por estradas cênicas que circundarão campos de golfe, vinhedos e montanhas artificiais. Em alguns desses navios, será possível praticar esqui alpino; em outros, perhaps, até safáris africanos estarão à disposição dos viajantes.
I’m sorry to say, mas parece que não há limites para esse crescimento. A não ser o próprio limite dos mares. Temo que, algum dia, o mundo veja um meganavio com a proa ancorada em Nova York e a popa amarrada em La Rochelle. Mas, como otimista que sou, imagino que até lá, os projetistas navais terão desenvolvido a brilhante idéia de criar enseadas, praias e — why not?, — até mesmos portos encaixados na estrutura da embarcação. E quando esse dia chegar, os mares, at last, vão precisar de novo de navios menores para ancorar nos maiores.
As pessoas, of course, vão estranhar no começo. Mas logo, I’m sure, vão redescobrir o prazer de navegar como no passado.