Grécia: em Atenas não se poupam noitadas
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Grécia: em Atenas não se poupam noitadas

Fabio Vendrame

01 Abril 2014 | 03h30

‘Cortamos gastos com roupas novas, mas não com bares’, diz uma moradora ao explicar as mesas apinhadas em bairros como Gazi e Monastiraki – e há acervos artísticos nababescos no horizonte

Panorâmica da Acrópole desde as mesas do A for Athens – Fotos: Thiago Momm

ATENAS

Grécia em crise, museus e centros culturais atenienses em um universo paralelo, criados e reformados como se os melhores ventos soprassem na Ática. São um pouco anteriores ao colapso financeiro, é verdade, o Novo Museu da Acrópole e a nova sala do Museu Arqueológico. São posteriores, no entanto, o Centro Cultural da Fundação Stavros Niarchos e a reforma da Galeria Nacional, que, com € 45 milhões investidos, está ganhando anfiteatro, frente envidraçada e 11 mil metros quadrados a mais.


O centro da Stavros Niarchos, que deve ficar pronto em 2015, compete em relevância com o Novo Museu da Acrópole, de 2009. Estão sendo investidos € 566 milhões, 3,5 vezes o que custou o museu. Ficarão ali, em uma inclinação encontrando um parque de 170 mil metros quadrados criado nas proximidades do mar, a Biblioteca, a Escola de Balé e a Ópera nacionais. O projeto é de Renzo Piano, ganhador do prêmio Pritzker, o mais relevante da arquitetura mundial. Ele diz ver ali nada menos que a Ágora contemporânea.

De 2004, o Centro Cultural Onassis recebe concertos e expõe o melhor das artes cênicas e visuais de figuras gregas de destaque. No bairro Gazi, o destaque é o complexo Technopolis, que ocupa uma antiga estação de gás e é referência em exibições multimídia, shows e eventos de estilos variados.

Bem menos nababescos, lugares como o TAF e o Six Dogs são pequenas aldeias de arte no meio da cidade. Os dois mesclam pátios à meia-luz, DJs, casa cheia e um calendário frenético de exposições. A música eletrônica, mais para suave e algo xamânica, se funde perfeitamente com os ambientes, ideais para noites desaceleradas entre mezedes (as tapas gregas).

Além dos espaços culturais, resistem à crise os bares. “Nós, gregos”, sorri a ateniense anfitriã para a reportagem, “cortamos gastos com roupas novas por causa da crise, mas não com bares”. Sobre as roupas não se verificou. Sobre os bares estava óbvio: uma sexta-feira à noite maldosa do inverno e as mesas no bairro Gazi ali, apinhadas qual Grécia avançando para as semifinais em julho no Brasil. No sábado, de novo.

Praça de Monastiraki

Em Monastiraki, igual. Tanto os bares pequenos Drachma e Karitsi Square como os vaidosos Kolokotroni e A for Athens seguem lotados. Para uma noite com vistas para a Acrópole, não hesite em subir neste último, o terraço de um hotel de seis andares. As mesas iluminadas apenas por velas em moldes de vidro são o mirante perfeito para o Partenon aceso como se esperasse uma festa de Jay Gatsby. O milionário de Fitzgerald não deve vir à cabeça à toa: no breve, mas eficiente, cardápio há coquetéis de € 10 a € 12.

Por mais onde ir. Os bairros centrais de Atenas têm personalidades muito claras, então conhecê-las ajuda a esboçar melhor a estada na cidade. No Kolonaki, mais residencial, às vezes são centenas de metros até que apareça a luz de um bar, um restaurante. Por lá ficam opções mais sofisticadas, como a taverna Oikeio, principalmente nas Ruas Ploutarhou e Skoufa.
Quem sobe as escadas rolantes do metrô em Gazi é entregue nas quadras mais festeiras de Atenas. Embora alguns megaclubes dominem visual e sonoramente a paisagem, há bares silenciosos, bares com shows de rock alternativo, bares para comer no começo ou ao final da noite.

Plaka, rota turística e inevitável

Plaka, menção obrigatória, pode ser visto com alguma relutância pelo excesso turístico, mas não tem jeito: relevada a overdose de souvenirs à venda, restam as ladeiras que transportam às ilhas gregas e ficam próximas das muitas ruínas do centro histórico.

Apesar do nome turístico em inglês, confie no empório Taste of Greece (Adrianou, 67) como uma fonte de bebidas, azeites, doces e outras iguarias gregas de preços ok e ótima qualidade.

Plaka avizinha Syntagma e Monastiraki. Sobre esses não há muito o que especificar: é onde ficam o furdunço cotidiano e várias das atrações históricas ou atuais. Mesmo sem escolher, qualquer visitante de Atenas acabará naturalmente por lá. / THIAGO MOMM, ESPECIAL PARA O ESTADO

NÃO PERCA:

1. Acrópole: veja flashes da história do marco neste vídeo. No verão, reserve ingressos para o teatro grego no Odeon de Herodes Ático como parte do Festival de Atenas

2. Noite: os bairros Syntagma e Monastiraki são para bater papo. Para noites trepidantes, siga para Gazi: o clube Socialista (Triptolemou, 33) é a dica dos nativos; o Tora K44 (Konstantinoupoleos, 44) tem rock grego. O Gkazaki (Triptolemou, 33) é tranquilo, e o Gazi College (Persefonis, 53), com café e petiscos, é para terminar a madrugada

3. Ficção: a cômica Lisístrata – A Greve do Sexo (L&PM, R$ 15,90), peça de Aristófanes, foi traduzida por Millôr Fernandes. A Atenas do começo do século 20 está em Six Nights on the Akropolis (Attica, US$ 25, via Amazon), do Nobel George Seferis. Petros Markaris mescla romance policial à crise em Pan, Educación, Libertad (livro eletrônico em espanhol, R$ 39,26)

4. Museus: o Museu Arqueológico Nacional, o maior do país, inaugurou seis novas salas em 2009. Se a dose não bastou, visite o Museu de Arte Cicládica

5. Restaurantes: em Plaka, o Yasemi (Mnisikleous, 23) tem pratos caseiros por € 5. No Gazochori (Dekeleon, 2), em Gazi, misture música, mezedes e vinhos no Gazochori. Na menos central Neo Psychiko, o Ramba (Dimitriou Vasileiou, 14) tem piano e vocal ao vivo. Espere gastar € 25

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