Hotéis que não aceitam crianças (e bichos)
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Hotéis que não aceitam crianças (e bichos)

Mônica Nóbrega

12 Agosto 2015 | 13h30

Com frequência aqui no Viagem nos chega material de divulgação de hotéis que não recebem crianças – “não aceitam”, como dizem os próprios. Anunciam isso como vantagem. São as tais hospedagens para adultos, que se vendem como românticas: os hóspedes certos seriam casais preocupados demais com a própria paixão, de forma que parece insuportável encontrar no corredor uma menininha falante de 4 anos ou um garotinho de colo que se ponha a chorar por qualquer motivo.

Hotéis que não aceitam crianças kids not allowed

Hotéis não aceitam crianças e anunciam isso como vantagem. Foto: reprodução

E se o chorão ou chorona em questão estiver no quarto ao lado? Ah, o amor é frágil, pode não suportar tamanho quebra-clima.

Tem também a piscina. Conviver com crianças na piscina pode ser uma chatice, afinal, crianças vão à piscina por causa da… água. Sem falar no restaurante, onde os pequenos podem ousar dar uma fofa e ruidosa gargalhada infantil e quebrar o clima de meia luz e meias palavras dos apaixonados ao redor.


Hotéis que não aceitam hospedar bichos de estimação são outra modalidade. Vai que o peludo ou o bichano, ainda que acomodado na sua almofadinha que veio de casa, resolve latir, miar, qualquer coisa que denuncie sua presença, sua existência?

Sim, sou mãe de criança pequena e este post pode ser lido como um texto em causa própria. Quero contar que mesmo antes de nascer o meu pequeno eu não me hospedaria em um lugar que considera crianças um incômodo. Também não topo, nem agora nem antes, lugares que barram os animais. E olha que sou uma pessoa pet free. Mas não acho normal nem aceitável que alguém seja proibido de viver seus momentos de descanso, alegria e descobertas junto de seus bichos queridos. E se não houver quem cuide deles?

Aliás, quero contar aqui uma coisa. Fazer uma revelação mesmo.

Atenção, ALERTA DE SPOILER

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Nem toda criança e nem todo bicho de estimação são mal educados. 

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Claro que hoteleiros podem direcionar seu empreendimento como quiserem. Absolutamente aceitável, inclusive, que uma hospedagem não tenha a infraestrutura necessária a crianças (ou aos pets). Copa do bebê, playground, elevador: nada disso é obrigatório, o hoteleiro avisa na reserva que não tem tais facilidades e os interessados decidem se é o caso de ir mesmo. Tudo certo.

Mas proibir, vetar, recusar, acho estranho. Até violento mesmo.

Como exemplo, pense no casal que passou boa parte da vida frequentando uma mesma pousada. Daí a dupla tem um filho e só daqui a 12 anos poderá voltar à sua pousada querida. Faz sentido?

Antes que você, amigo hoteleiro, amigo hóspede, me chamem de chata, apelem à lei do mercado ou lembrem que é só escolher outro hotel, ofereço o meu argumento mais forte, para que fique como reflexão. Eu quero viver em um mundo que aceita. Um mundo em que pagar para manter afastados de nós aqueles que não queremos por perto não seja considerada uma opção.