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Imigração dos EUA, uma comédia de costumes

Mônica Nóbrega

11 Julho 2013 | 23h33

Mônica Nobrega / BOSTON

Por motivos que não cabe listar aqui, mas que são em bom número, faz bem pouco tempo que comecei a vir aos Estados Unidos. Esta quarta-feira, 10 de julho, foi a quinta vez que desembarquei no país em 15 meses – a quinta vez, portanto, que passei pela temida imigração americana.

E caiu a ficha. Enquanto esperava na fila, observava, trocava a perna de apoio para redistribuir o peso do corpo, me dei conta de que a imigração por aqui é como uma daquelas sitcoms que fazem sucesso na TV deles, em que quase tudo se passa na mesma sala de estar e os episódios têm todos a mesma estrutura. Um comédia de costumes que segue sempre o mesmo script.

A longa caminhada: são quilômetros entre o avião e a sala de imigração. Haja corredor.


A fila: pode ser grande ou enorme, não importa o horário do desembarque. Uma hora e vinte é o mínimo de espera, sem internet, porque é proibido usar o celular

Os “causos” assustadores: e se é proibido usar o celular, as pessoas fazem o quê? Conversam. Mas não qualquer conversa. Conversar, na fila da imigração americana, significa contar daquela sua conhecida que foi mandada de volta para casa. Da vez em que você mesmo quase foi barrado. Do amigo do seu amigo que foi mandado para a salinha, “a” salinha, que todo mundo já ouviu falar, mas nunca conheci alguém que tenha ido pessoalmente. Ontem mesmo soube de alguém que pagou 100 dólares na salinha. A título de quê, quem narrava o caso não soube explicar

A reta de chegada: quando faltam apenas umas duas voltas da fila para chegar a sua vez, é a hora de começar a reparar nas caras dos agentes de imigração. Qual parece mais simpático? Quem está fazendo mais perguntas aos turistas? Será que vou entender o inglês que ele fala? Não faz qualquer diferença – você não escolhe por quem será atendido –, mas é parte do ritual. E aumenta o frio na barriga

A hora da verdade: pronto, vocês está a sós com o agente. Nada demais acontece. Provavelmente eu tive muita sorte até hoje. Porque só peguei umas figuras bonachonas, gorduchas, que pareciam tudo, menos autoridades de fronteira que poderiam me enfiar de volta no primeiro avião para o Brasil. Respondi a perguntas triviais, que cidades pretendia visitar, quantos dias iria ficar, qual a minha profissão. E pronto, dedinhos no scanner, carimbo no passaporte e “bienvenida a los Estados Unidos”. Sim, porque eles falam em espanhol com você, brasileiro. É tudo a mesma coisa, você sabe

Depois de passar pela entrega de bagagem, na saída do desembarque internacional, olhe em volta com atenção. É bem provável que você encontre welcomes escritos com tinta colorida em cartolinas empunhadas por crianças que seguram também balões em formato de coração. Eles ainda vão aos aeroportos fazer festa para os entes queridos que chegam de viagem.

Não é para você, mas não deixa de ser um happy end, não?