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Impressões do Pantanal

Adriana Moreira

29 Julho 2010 | 20h54

O último post da viagem dos meninos e meninas da Casa Taiguara pelo Pantanal poderia simplesmente descrever a cansativa volta a São Paulo, que começou antes das 5 horas da manhã e só terminou lá pelas 3 da manhã do dia seguinte. Mas achei que seria mais interessante discorrer sobre as impressões que a expedição deixou em todos – inclusive em mim.

Os jovens de 12 a 18 anos que foram na viagem têm histórias complicadas. Espancamento, abandono, abuso, tráfico, vida nas ruas. Mas tudo isso ficou para trás durante os sete dias de convivência. Ali, eles eram apenas adolescentes cheios de sonhos, que gostam de brincar no rio, paquerar, dar risada. Que brigam e fazem as pazes, que ajudam uns aos outros e quem está ao seu redor, sem reclamar (vá lá, às vezes reclamando um pouquinho). Cada um com suas aptidões, defeitos e qualidades. Como quaisquer outros de sua idade.

Como disseram os organizadores da expedição, não é possível saber, imediatamente, de que maneira a viagem vai transformá-los. Talvez fique apenas uma boa recordação – algo excelente, considerando as dificuldades com que se depararam em tão pouco tempo. Ou seja encontrado ali algum talento escondido, como a facilidade de Carlinhos na lida com os cavalos (os educadores querem conseguir um curso para o garoto). 

É certo que a convivência em viagens é reveladora. Não há maneira melhor de conhecer alguém do que nesses poucos dias. Relacionamentos são reforçados, amizades encerradas. Para os meninos e meninas da Casa Taiguara, foi uma maneira de conseguir outras referências. De descobrir um mundo muito diferente ao que estão acostumados, de andar a cavalo e brincar no rio, ajudar os peões com o manejo do gado, trabalhar em grupo. 


Para os educadores, a viagem ajudou a trabalhar aspectos psicológicos. Quem estava se sentido pertido teve a oportunidade de pensar num ambiente tranquilo, sem barulhos ou interrupções. Foi a oportunidade de descobrir maturidades e imaturidades e tentar encontrar novos caminhos para esses jovens.

Já para mim, que entrei no grupo como mera observadora, foi a oportunidade de conhecer um grupo incrível, inteligente e gentil, educado e cheio de sonhos, que não teve oportunidades. Digo, sem influência emocional ou exagero, que todas as vezes que me deparar com meninos dormindo sob viadutos, catando latinha na Praça da Sé, pedindo trocados na Praça da República, vou enxergar Flávio, Carlinhos, Clayton, Wallace, Leandro e tantos outros. E ter a certeza de que o futuro de cada um deles pode ser diferente.