Irlanda do Norte: Embarque nessa, se estiver preparado
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Irlanda do Norte: Embarque nessa, se estiver preparado

Fabio Vendrame

08 Abril 2014 | 03h10

Prédio tem o formato do famoso navio – Fotos: Ana Carolina Sacoman/Estadão

Ultramoderno e interativo, museu aberto 100 anos depois do naufrágio narra toda a trajetória do Titanic – exposição surpreende mesmo quem viu o filme e conhece bem os detalhes da tragédia

BELFAST

Construído em Belfast, no estaleiro Harland and Wolff, o Titanic saiu dali e, após algumas escalas, chocou-se com um iceberg, na noite de 14 de abril de 1912, matando 1.517 das 2.240 pessoas a bordo. A história é conhecidíssima, mas nem por isso você pode dispensar a visita ao ultramoderno e superinterativo Museu Titanic, aberto em 2012,100 anos depois do naufrágio, cujo prédio tem o formato do navio.


Mas, atenção: apesar de a exposição começar com curiosidades como a vida em Belfast no início do século, a coisa vai ficando mais séria até chegar aos arrepiantes relatos do acidente. É de se avaliar se as crianças não ficarão impressionadas. Eu, apesar de saber toda a história, fiquei. E muito.

Uma das partes mais legais do museu é a que mostra, em tamanho real, como eram as cabines da primeira, segunda e terceira classes. Impressionam o luxo do dormitório destinado à elite a bordo e, na outra ponta, a precariedade dos quartos. O Titanic, aliás, ficou célebre pela “elitização” durante o seu resgate: a maioria dos sobreviventes pertencia à primeira classe.

Os relatos do acidente vêm em seguida, começando com a transcrição dos pedidos de socorro e como foi feito o resgate. Ali, é contado que um navio que estaria bem próximo teria recebido os pedidos de ajuda do Titanic e ignorado. Até hoje não se sabe o nome da embarcação.

Depois vêm as histórias de mortos, muitos ilustres, como John Jacob Astor IV e Benjamin Guggenheim, dois dos homens mais ricos da época. Nesta parte também estão relatos de gente que se salvou ao descer antes, como o fogueiro Joseph Coffy e o cozinheiro Will Briths Jr., que desertaram em Queenstown, na Irlanda.

Maioria dos sobreviventes pertencia à primeira classe

Pouco mais adiante aparece uma réplica dos botes de resgate, que não existiam em número suficiente no navio, e é possível conferir mitos e lendas que cercam essa tragédia. Há vídeos, exposições e seções interativas. Uma área reservada do museu reproduz a famosa escadaria que aparece no filme de 1997 e é possível até reservar um espaço para casamentos! Uma loja gigante fecha o tour. Reserve uma tarde inteira.

Naviozinho. Na frente do museu há outra exposição curiosíssima relacionada ao Titanic. Ali está ancorado o SS Nomadic – barco a vapor construído em 1911 para a White Star Line, a armadora do Titanic –, que transportou os passageiros do porto de Cherbourg, na França, para o gigante.

Conheça também a atribulada história do Nomadic

O Nomadic levou 281 passageiros e é curioso ver que, mesmo ali, a estratificação social era gritante: enquanto o pessoal da primeira classe tinha bancos e banheiros, os da terceira tinham de seguir em pé, no meio das bagagens.

O naviozinho tem uma história atribulada. Participou da 1.ª Guerra Mundial, onde serviu de alojamento para tropas britânicas. Depois, passou de mão em mão e chegou a transportar passageiros para o Queen Elizabeth, até virar um barco-restaurante no Rio Sena, em Paris, entre 1977 e 1999.

Em 2006, foi comprado pelo governo da Irlanda do Norte e completamente reformado. Nele é possível ver fotos de época e conferir o minucioso processo de restauração. O passeio é bem legal e são usados hologramas, seja o de um bartender ou o de um fogueiro, para contar a história do barco. O Nomadic é a última embarcação em operação que navegou com a bandeira da White Star Line. / ANA CAROLINA SACOMAN