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Mania de viajante

Adriana Moreira

14 Agosto 2011 | 22h15

Até minha última viagem, eu nunca havia reparado. Mas descobri que, ao longo dos anos, viajar sozinha me rendeu algumas manias. O ritual começa na preparação das malas, segue na hora de escolher as roupas com as quais vou viajar (tenho um cachecol do qual não me separo)  e continua no aeroporto: não embarco sem garantir palavras cruzadas e um tablete de chocolate. Comprar antes? Nem pensar. Só vale se for no aeroporto mesmo.

No meu caso, acredito que as manias surgiram com a experiência, depois de enfrentar toda a sorte de perrengues ao longo de dezenas de voos. O chocolate se tornou imprescindível para mim em uma época em que as refeições das aéreas estão cada vez mais mirradas (e menos saborosas), mesmo nos voos mais longos. Criei uma espécie de instinto de sobrevivência de viajante, que começa dias antes de embarcar, fazendo o  o check-in online para escolher a poltrona da minha preferência. Voos curtos? Janela, para tentar fotografar o visual na chegada à cidade de destino. Voos longos? Corredor, para poder ir ao banheiro e esticar as pernas na hora que eu bem entender.

Espero todos entrarem no avião para entregar meu bilhete – ainda não consegui entender o porquê de as pessoas ficarem horas em pé, na fila, antes mesmo de começarem a chamar os passageiros. Afinal, todos ficaremos na mesma cabine pressurizada por longas horas, por que a pressa? 

Nunca viajei de salto alto: os pés incham e você tem de escolher entre tirar os sapatos e aceitar que os pés não vão entrar neles quando o avião aterrissar ou passar todo o voo com os pés encalacrados. Prefiro sapatos confortáveis e fáceis de tirar e tenho sempre uma meia na bolsa. Três blusas: uma de manga curta, caso esteja calor; uma de manga longa e um casaco para o caso do ar condicionado da aeronave estar com temperaturas islandesas. Em casos extremos, uso meu fiel cachecol.


Adquiri o hábito também de levar meu próprio fone de ouvido. Por uma razão muito simples: os oferecidos pelas aéreas não reproduzem o som decentemente e, na maioria das vezes, um dos dois lados não funciona. Também entro na aeronave com minha própria garrafa d’água, comprada depois de passar pelos processos de segurança, para não ter de pedir (e esperar) o tempo todo para os comissários. Pura praticidade.

Nunca reparei com que pé entro no avião nem tampouco tenho amuletos especiais. Mas há viajantes verdadeiramente supersticiosos, com rituais bem divertidos. Pé de coelho e trevo de quatro folhas? Coisa do passado. O viajante supersticioso  moderno prefere itens que se confundam com uma opção de estilo. Colares repletos de ícones da sorte (ferradura, mão de fátima…), patuás, camisetas com estampas de santos. Já vi mala com fitinha do Bonfim e até garrafinha de água benta (passou pela segurança porque tinha menos de 100 ml).

Nada contra. Se é para se sentir mais seguro e fazer uma viagem tranquila, vale tudo.

E você? Tem alguma mania de viajante?