Meia estação, tempo de viajar
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Meia estação, tempo de viajar

Fabio Vendrame

18 Março 2014 | 02h00

Ilustração: Marcos Müller/Estadão

Well, my friends: eu não poderia deixar passar esta semana sem registro. É chegado o momento de saudar as duas estações mais amenas do ano, ambas perfeitas para os viajantes. A primavera no Hemisfério Norte e o outono no Hemisfério Sul começam, oficialmente, no próximo dia 21. Trata-se do equinócio, a data em que o tamanho do dia e o da noite se equivalem. Daqui para junho, entre vocês, os dias começarão a ser menores que a noite e, of course – se nada tiver mudado tanto quanto parece – , as pessoas mais felizes estarão aptas a redescobrir o prazer dos dias mais frios, que, em compensação, serão muito mais secos, sem o transtorno dos alagamentos que nos assola em todo o planeta. Também aqui, nas ilhas de minha querida Queen Elisabeth II, os habitantes menos ranzinzas comemorarão o despertar das begônias, o calor que vem surgindo aos poucos e o uso de roupas mais leves. Menciono isso, my friends, porque os chatos sempre têm do que reclamar. Não gostam do calor quando o sol arde, mas odeiam o frio quando ele vem, ainda que acompanhado do doce olor da fumaça das chaminés.

Eis porque é a chamada meia estação que faz melhor aos piores e, for sure, faz sempre muito bem aos melhores. Daqui de Essex, na companhia de Trashie (que, as always, está tomando um single malt), tenho o prazer de cumprimentar nosso planeta por mais uma volta. O que, é claro, só me renova a vontade de continuar a desvendá-lo:

Mr. Miles, tenho uma curiosidade: o senhor gosta de viajar de bicicleta?
Marie Monique Sendal, por e-mail


Well, my dear: as you know, adoro viajar. That’s all. Não tenho especial predileção pelas bicicletas, mas, quando necessário, pedalo para alcançar meus destinos. Ou para aproveitar a companhia. Não há nada errado em viajar praticando ciclismo. However, quem o faz gosta quase sempre mais de pedalar do que de viajar. Não importa muito o que apareça pelo caminho. Importam, sobretudo, os recordes pessoais, as barreiras vencidas, o novo modelo de câmbio que equipa o veículo and so on.

De minha parte, darling, prefiro caminhar. Ou cavalgar. Unfortunately, muito pouca gente nowadays tem qualquer tipo de proximidade com os equinos. Esquecem-se de que, ao longo da história, eles foram quase uma extensão de nossos corpos. Eu ousaria dizer que, sem cavalos (e camelos em muitas partes desse mundo tão cheio de desertos), não teriam surgido os primeiros viajantes. Os equinos, therefore, são os pioneiros da globalização. Don’t you agree?
Com o preço do petróleo, unfortunately, sempre nos surpreendendo para pior, talvez seja a hora de rever nossas relações com os cavalos e as bicicletas. (Não mencionarei mais os camelos, porque essa não é uma alternative para meus leitores brasileiros, exceto quando viajam e tiram fotos em destinos como Egito ou Dubai). Ambos são capazes de nos levar a percorrer distâncias razoáveis sem consumo de combustível. Se muita gente o fizesse, I presume, o petróleo voltaria a valores razoáveis. E o preço das passagens aéreas poderia cair.

As bicicletas precisam de menos lobby que os cavalos. Já existem cidades equipadas com ciclovias. Crescem os adeptos do selim por toda a parte. Exorto, então, as autoridades de bom senso que promovam uma campanha pela reabilitação dos cavalos. ‘Equivias’ nas cidades. Estábulos públicos. E, of course, muitas escolas de equitação, que acordem instintos adormecidos dos seres humanos e evitem acidentes. Como, by the way, o que vitimou my old friend Sardenson Walterberg, recentemente enviado para sete dias da cavalgada turística à beira do Rio Tejo, em Portugal. Durou dez minutos o entusiasmado Roy Rogers. What a shame…”

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS
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