Lembranças de Mandela em Johannesburgo
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Lembranças de Mandela em Johannesburgo

Felipe Mortara

05 Dezembro 2013 | 22h27

Mônica Nobrega e Felipe Mortara

Sala da Mandela House, com pinturas e fotos que contam a trajetória do líder sul-africano. Foto: Evelson de Freitas/Estadão

Viajar pela África do Sul é encontrar referências a Nelson Mandela por toda a parte. O líder do movimento que derrubou o regime do Apartheid, morto hoje (5), aos 95 anos, há tempos tem status de herói. Especialmente no bairro de Soweto, na periferia de Johannesburgo.  O tour guiado pela lendária vizinhança onde ‘Madiba’ cresceu e viveu é um clássico do turismo local.  O passeio dura uma tarde, custa por volta de 500 rands (R$ 108) e conta muito da resistência dos moradores ao apartheid.

Mulheres esperam para visitar museu na casa onde o líder viveu sua infância. Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

Ao entrar na Vilakasi Street, por exemplo, o guia logo avisa que ali morou o Nobel da Paz Nelson Mandela antes de sua prisão.  A casa foi transformada em museu há alguns anos, e guarda pinturas e fotos da família, além de objetos pessoais do líder político.  Poucos passos adiante está a casa de outro nome importante do movimento negro: o arcebispo Desmond Tutu, outro Nobel da Paz – o que confere ao local o status de única rua do mundo que já foi lar de dois ganhadores da categoria. Já o Apartheid Museum, que registra o conturbado período do regime de separação social e política entre a maioria negra e a minoria branca.

Pelos corredores do Hotel Saxon, imagens em que a história da África do Sul se confunde com a de Mandela. Foto: Divulgação

 

Luxuoso, discreto e localizado em Sandton, bairro de silenciosas avenidas arborizadas na caótica Johannesburgo, o hotel Saxon foi escolhido por Mandela como refúgio para terminar de escrever sua autobiografia, Longa Caminhada Até a Liberdade, logo que saiu da prisão. Pelos corredores do hotel, fotos daqueles momentos, com o ex-presidente sul-africano acomodado à mesa de caderno e caneta em mãos ou fazendo refeições na companhia de amigos, comprovam o fato.

Decorado com luxuosas peças artesanais sul-africanas e tapetes de peles, o hotel ocupa uma enorme chácara urbana, antiga residência familiar, com categorias de acomodações que vão de quartos de 80 metros quadrados a vilas inteiras de quase 1 mil metros quadrados construídos. A ligação entre as alas é feita por pontes suspensas e iluminadas que, à noite, ficam lindas. O restaurante, pilotado pelo chef David Higgs, é dos mais bem cotados na África do Sul. Serve comida local, como a carne de springbok, um clássico no país.

A diária básica para dois custa em média US$ 650.