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Miniguias da Copa 2014 – Salvador

Adriana Moreira

06 Maio 2014 | 01h52

Adriana Moreira

Salvador já foi mais bem cuidada, é verdade. Mas a cidade que inspirou Dorival Caymmi, Jorge Amado e outros tantos expoentes da cultura brasileira nunca perde seu brilho. O Pelourinho ainda é passeio obrigatório para quem a visita pela primeira vez, mas a falta de segurança preocupa (quem sabe na Copa esteja melhor?). E o conjunto de igrejas da cidade, algumas inteiramente decoradas, nunca deixará de ser incrível – dizem que há uma para cada dia do ano.

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Junho e julho costumam ser meses bastante chuvosos, por isso priorizamos neste guia os programas indoor – quando o sol sair, é só buscar a praia mais próxima e se jogar. Com chuva ou sol, a prefeitura de Salvador promete um carnaval fora de época, marcado para os dias 14 e 15 de junho. De 12 a 24, o Pelourinho concentra os festejos de São João, com shows gratuitos. Nenhum dos eventos tem nomes confirmados ainda, mas alguém duvida que eles vão proporcionar grandes festas?

 

Visitar a Arena Fonte Nova durante a Copa, só mesmo para quem tem ingresso para os jogos. Mas, a partir de 11 de julho, os tours guiados voltam – você pode agendar desde já.

 

Quanto à hospedagem, quem ainda não reservou seu quarto precisa correr. A Secretaria de Turismo da Bahia (Setur) divulgou que 80% dos 39 mil leitos disponíveis na cidade já estão ocupados durante o período da Copa. E, de acordo com o site TripAdvisor, o aumento nos valores das diárias nos dias de jogos é o maior registrado entre as cidades-sede: 212% – para se ter uma ideia, a média de acréscimo no Rio é de 107%.

 

Uma dica para pagar menos é ficar em cidades próximas. A vizinha Lauro de Freitas tem boas opções à beira-mar por preços bem mais convidativos – Praia do Forte, a aproximadamente 1h30 de distância, é outra alternativa. Ainda assim, é melhor se apressar: os hotéis também estão concorridos.

 

Dia 1 – Primeiro, o acarajé

É só desembarcar no aeroporto de Salvador para sentir o aroma do primeiro acarajé. Se você não quer nem esperar descarregar as malas para dar a primeira bocada, a barraca da Cira, uma das mais famosas da cidade, em Itapuã, está a dez minutinhos (de carro) do terminal. Enquanto olha o mar pelo qual versou Caymmi, você começa a desacelerar para entrar no ritmo da Bahia.

 

Primeira vez na cidade? Salvador também tem aqueles famosos ônibus de dois andares que levam a seus pontos turísticos imprescindíveis: Mercado Modelo, Farol da Barra… O tíquete, válido por um dia, custa R$ 45 por pessoa (crianças e idosos pagam R$ 30).

 

As igrejas de Salvador, a maior parte do século 18, são obrigatórias mesmo para quem não é religioso – e a região histórica do Pelourinho está cheia delas. A Igreja e Convento de São Francisco (Largo Cruzeiro de São Francisco, s/nº) é uma das mais belas, com adornos de ouro e azulejos que contam a vida do santo. Ali perto, a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi recém-restaurada e celebra missas (terças, 18h; domingos, 10h) ao som de atabaques. A Catedral Basílica (Terreiro de Jesus, s/nº), construída entre 1657 e 1672, mistura detalhes renascentistas e barrocos.

 

Já que está caminhando pelo Pelourinho, não deixe de passar na Fundação Casa de Jorge Amado, a enorme casa azul que sempre está em evidência nas fotos do bairro, considerado patrimônio histórico pela Unesco.

 

Se as pernas cansarem, não faltam opções de bares e restaurantes bacanas por ali mesmo (o Cravinho, na Praça 15 de Novembro, é um clássico). Mas dá para aproveitar a deixa e mudar de ambiente: a happy hour na Dona Eva (Rua Gilberto Freye, Quadra E, Lote 4, Stella Maris), que recebe os clientes no quintal de casa, tem música ao vivo de quinta-feira a sábado.

 

Outra opção é seguir para o Rio Vermelho, onde a noite é sempre animada. Se você perdeu o acarajé em Itapuã, eis sua chance: as barracas de Dinha e Regina, também famosas, ficam ali. De qualquer jeito, fique de olho no www.agendacultural.ba.gov.br, que reúne a programação cultural da cidade em arte, shows e espetáculos folclóricos.

 

Dia 2 – Um pouco de história

 

Comece o dia com um pão delícia, recheado com creme de queijo e figura fácil nas padarias da cidade. Depois, alimente-se também de cultura: o Museu de Arte Sacra (Rua do Sodré, 276), do século 17, guarda peças históricas no belo prédio do antigo Convento de Santa Teresa D’Ávila. Mas, se você acha que já viu o suficiente de arte sacra, que tal conhecer os fortes da cidade?

 

De 1698, o de Santo Antônio da Barra – o Farol da Barra – é um dos mais antigos do País e abriga o Museu Náutico da Bahia. Uma escada com 81 degraus leva ao alto da torre. Também na Barra, o de São Diogo tem uma bela vista para a orla e, aos sábados, simulação de tiro de canhão. Já Monte Serrat, na Ponta de Humaitá, tem vista para a Baía de Todos os Santos e um belo pôr do sol.

Não deixe de incluir em sua programação o Museu de Arte Moderna (MAM). O Solar do Unhão, conjunto arquitetônico onde está o museu, já é uma atração por si. O prédio histórico, do século 17, com seu trapiche à beira-mar, é para lá de fotogênico. Aos sábados, às 18 horas, ocorre a Jam no MAM, apresentações de jazz com ingressos a R$ 6. As programações de junho e julho ainda não foram definidas.

 

Se a fome bater, vá de lambreta. Não, não estou sugerindo seguir de motocicleta, mas provar um molusco típico da Bahia. O Don Papito, em Piatã, é famoso por suas receitas: com páprica, leite de coco e açafrão ou simplesmente cozidas no azeite (a partir de R$ 17,50).

 

Dia 3 – Pegue a estrada

Ao norte, a Costa do Coqueiros guarda praias lindas: Guarajuba, Praia do Forte, Imbassaí; ao sul, Morro de São Paulo, Boipeba. Mas, como se sabe, em junho e julho as chuvas são comuns e sua praia pode ser prejudicada. Se quiser arriscar, vá em frente: quando a água para de cair, o calor é certo e a paisagem, embasbacante de qualquer jeito.

 

Uma alternativa é deixar a praia de lado e rumar para o interior, mais precisamente, para a Chapada Diamantina. Ali, ao contrário do que ocorre no litoral, é época de seca. Os dias são mais quentes e as noites, mais frias. Outra vantagem: os primeiros raios de sol começam a bater no Poço Encantado.

 

Há voos semanais de Salvador pela Azul/Trip para Lençóis. A cidade, repleta de hotéis e restaurantes, é a melhor base para passeios de um dia: Gruta da Pratinha, Morro do Pai Inácio, Vale do Capão… Não esqueça de contratar um guia – é possível fazer isso na hora, nas agências locais, ou antes de viajar. Com mais tempo, dá para fazer caminhadas como a que leva ao belíssimo Vale do Pati, antiga zona de garimpo que deu lugar a um parque nacional.