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No meio do Caminho

Nossos repórteres chegaram à metade geográfica do Caminho de Santiago

Adriana Moreira

07 Outubro 2015 | 18h26

Dezesseis dias após sair de Saint-Jean-Pied-de-Port, aos pés dos Pireneus franceses, nossos peregrinos chegaram nesta quarta-feira à metade geográfica do Caminho de Santiago em Sahagún. Foram 400 quilômetros percorridos em 16 dias – e ainda faltam outros 400 quilômetros (e mais 16 dias) até alcançar, finalmente, Santiago de Compostela, em 23 de outubro.

A jornada começou com a ladeira morro acima de Saint Jean Pied de Port até Roncesvales dando as boas vindas aos jornalistas Felipe Mortara e Filipe Araujo. Já na primeira caminhada, uma onda de preocupação: Filipe ficou para trás fazendo imagens, enquanto Felipe seguiu em frente. Pela noite, nenhum sinal do primeiro. Quando Felipe já estava chamando o Corpo de Bombeiros, eis que Filipe entra, finalmente, pelo restaurante do albergue. Leia tudo aqui.

“Em alguns momentos, duvidei que aguentaríamos chegar até aqui”, diz Filipe Araujo, que começou a jornada com uma mala muito pesada para os padrões peregrinos em razão de seu equipamento fotográfico e de videomaker: 19 quilos, sendo que o normal é levar nas costas o correspondente a 10% do peso do peregrino – algo em torno de 8 quilos. Além disso, a cicatriz de uma cirurgia feita no tendão de Aquiles há menos de um ano inchou.

Foi necessário então despachar parte do equipamento e fazer repouso (graças a uma carona providencial com Raul, que trabalha levando malas dos peregrinos de van de cidade em cidade; ele cobra 5 euros para mandar a mala para a cidade seguinte), Filipe se recuperou e conseguiu retomar o ritmo. “Agora me sinto bem para caminhar.”


Felipe teve problemas com bolhas no começo da jornada. Ele explica que elas continuam aparecendo, mas estão sob controle. No momento, ele está mais preocupado com o desgaste muscular. “A gente descobre que tem músculo até no pé”, conta ele. ”

Ao longo da jornada, os “Felipes” começaram a se sentir parte do Caminho. “O Caminho passa a fazer sentido pra gente, e nós dentro dele”, diz Mortara. “Há um ânimo que se fortalece a cada dia.” Nesses 16 dias, eles dormiram em colchonetes, desfrutaram de ótimos menus peregrinos e conheceram personagens e suas histórias – incluindo alguns brasileiros.

Perceberam que o desapego é total no trajeto – peregrinos abandonam de roupas, mapas, sutiãs, capas de chuva, cajados e tudo que pode ser necessário (e pesado). Há pontos de descartes específicos, já que, em algum momento, alguém pode fazer uso do que foi descartado. E também que o Caminho é uma experiência muito particular: mesmo viajando em dupla, eles não caminham juntos o tempo todo.

Os albergues municipais, que funcionam com doações, têm estado cheios. Ainda há muitos peregrinos e o clima, de modo geral, está bom, sem temperaturas extremas de modo geral. Chouveu pouco, mas nos últimos dias a ventania foi complicada – Filipe relatou até ter perdido o equilíbrio em alguns momentos, em razão das fortes rajadas de até 70 km/h, especialmente entre Castrojeréz e Ledigos.

A aventura continua, e continuamos passando um pouquinho desse dia a dia e bastidores neste blog, além do WhatsApp (11 9 4158 9679), instagram (viagemestadao, #estadaonocaminho), Twitter. Ainda teremos novidades ao longo dos próximos 16 dias e, em novembro, um caderno contando em detalhes tudo o que os jornalistas viveram nessa jornada.

Hospital de Peregrinos de San Nicolás
Filipe Araújo/Estadão
Hospital de Peregrinos de San Nicolás

Localizada em Itero del Castillo, a capela de São Nicolau ficou abandonada durante centenas de anos até um professor universitário decidir reformá-la. Hoje, ela funciona como um albergue e ficou conhecida como Hospital de Peregrinos. 

‘Você quer mesmo fazer o Caminho de Santiago?’
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