No supermercado pelo mundo afora
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

No supermercado pelo mundo afora

Mônica Nóbrega

10 Maio 2011 | 00h48

Como boa turista brasileira, adoro ir às compras quando viajo. Só que o alvo da cobiça, no meu caso, não são as lojas de grife, nem as de souvenir. São os supermercados.

O amor pelas gôndolas e prateleiras virou questão de sobrevivência desde que descobri a delícia que é trocar o hotel por um apartamento alugado. Ter um lar temporário e uma cozinha toda minha implica em riscos, é verdade – como estragar o café com uma generosa colherada de sal por não compreender a embalagem escrita em eslovaco (com opções em húngaro, checo e polonês, para ninguém poder dizer que os fabricantes da Eslováquia só conhecem seu próprio idioma). Mas também reserva alegrias. Alegrias econômicas, que são ainda melhores. Exemplo: encontrar a cerveja deliciosa, que custava 40 coroas checas (cerca de R$ 3,90) a garrafa em um pub, vendida por 8 coroas checas. Meros R$ 0,75.

Surpresas gastronômicas estão garantidas quando você vai a um supermercado no exterior. Um detalhe estampado na embalagem que passe despercebido e pronto: a torrada do café da manhã ganha uma bela camada de queijo cremoso apimentado. Você recheia o sanduíche com um embutido que tinha todo o jeito de primo do peito de peru, mas cuja textura se revelou curiosamente esponjosa. Ou descobre que, no Chile, estes estabelecimentos vendem vinho em caixa tetrapack, por valores irrisórios – e acredite, sabor bastante aceitável.


Supermercados ensinam, ampliam o jogo de cintura. Em Praga, onde virei habitué de uma loja da rede Tesco, a dificuldade de comunicação com a atendente do balcão de frios foi superada com ajuda do iPhone. Depois de apontar o item que queria levar, eu usava o aparelho para mostrar fotos de animais – galinha, porco, vaca, carneiro – e, assim, descobrir de qual carne o produto era feito. Então, digitava a quantidade (por exemplo, 200 g). Ela escrevia o preço no aparelho, esperava meu “sim” com a cabeça e tudo estava resolvido.

Muito antes de as sacolas retornáveis virarem moda e começarem a ser vendidas nos supermercados paulistanos, conheci a ideia em Berlim. Lá não é questão de escolha levar sua própria bolsa, mochila, cesta ou seja o que for para transportar as compras para casa. Quem não faz isso paga por cada saquinho plástico usado. Um sistema que, agora, até a Câmara de Vereadores de São Paulo quer implantar na cidade.

Supermercados também são o lugar perfeito para comprar lembrancinhas sem ir à falência. Você consegue pensar em presentinhos melhores para familiares e amigos que sabonetes, creminhos, pacotes de bala e miudezas assim, escritos em outro idioma? Eu não.