O charme low profile do Chelsea
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O charme low profile do Chelsea

Mônica Nóbrega

17 Julho 2012 | 01h32

Por Mônica Nóbrega

Um dos dois únicos endereços na região que mais ou menos cabem na definição de ponto turístico está temporariamente inacessível a visitantes. Fechado há quase um ano para reformas, com boa parte da fachada de tijolinhos escondida por andaimes, o mítico Hotel Chelsea segue sem dar pistas claras de seu futuro. Mas nem essa ausência ilustre tira a graça de um dos bairros mais maravilhosamente low profiles de Nova York: o Chelsea.

O Hotel Chelsea, parcialmente coberto por andaimes no nível da rua

Antes de ir adiante, cabe uma explicação. Estilo de viajar é algo pessoal e intransferível – e o meu inclui procurar o bairro que escolheria para morar em cada cidade visitada. Pois foi no Chelsea que tive vontade de sair perguntando pelo preço dos apartamentos.


O bairro, no lado oeste de Manhattan, engloba da Rua 14 (a da Union Square) à 34 (Macy’s) e da 6ª Avenida à orla do Rio Hudson. Sem nunca estar lotado nem exibir lojas de souvenir óbvias, tem localização muito, muito conveniente. A Times Square começa logo ali ao norte, na Rua 42. No pé do Chelsea está o agito do Meatpacking District – leia-se restaurantes chiques, bares de happy hour para jovens endinheirados e lojas de rua de estilistas do naipe de Diane Von Furstenberg. E quase na borda oeste, entre as Avenidas 10 e 11, paralelo ao Hudson, corre o High Line, parque suspenso que é uma das coisas mais bacanas que Nova York inventou nos últimos anos.

Começar por ele pode provocar um amor à primeira vista (do alto) pelo Chelsea. O High Line é, na verdade, uma extensa passarela, mais de 2 quilômetros, em um antigo viaduto suspenso, como o Minhocão paulistano. Você senta nos bancos de design descolado, entre canteiros verdes, para admirar instalações criativas como a da foto abaixo.

Batizada de High Line Zoo, instalação ocupa o terraço de um prédio vizinho

E paredes grafitadas, dentre as quais a mais famosa, no momento, é a do brasileiro Kobra (na Rua 25 com a 10.ª Avenida).

Mural do grafiteiro brasileiro Kobra visto a partir do High Line

Vizinho ao grafite do brasileiro, na 1o.ª Avenida, está um dos restaurantes mais simpáticos do bairro. O Pepe Giallo é um italiano descoladinho sem nenhuma pretensão, que tem paredes decoradas com quinquilharia e itens de coleção e pratos muitíssimo bem-servidos por preços que variam de US$ 14 (espaguete ao sugo) a US$ 30 (penne com frutos do mar). Um lugar para sentar sem pressa, papear, comer bem sem frescura. A camiseta dos garçons, aliás, é estampada com um aviso de “Não temos coca diet, café descafeinado e leite desnatado. Apenas comida boa”.

Descolado e despretensioso, o Pepe Giallo é dos restaurantes mais simpáticos do bairro. Fotos Mônica Nóbrega/AE

Também por ali ficam as galerias de arte montadas em galpões industriais antigos, região que a cidade convencionou chamar de Art Gallery District.

Poucas quadras ao sul, na 9ª Avenida, entre as Rua 15 e 16, está o tudo-de-bom Chelsea Market, o outro endereço do bairro que mais se aproxima de um ponto turístico. Um labirinto de corredores preenchidos por empórios e restaurantes e lojas dedicados à comida. Como não amar uma padaria toda de vidro, onde você pode grudar o nariz na vitrine e ver sendo preparado o pãozinho que vai comprar ali na frente?

Poucas ruas ao sul começa outro bairro delicioso para caminhar entre lojas, restaurantes e os tão nova-iorquinos prédios de tijolinhos, o West Village (não perca a Rua Bleecker). Outra possível extensão do passeio fica, por muito pouco fora do Chelsea, no cruzamento da Rua 23 com a 5.ª Avenida. O Eataly é misto de mercado chique e shopping gastronômico cujo tema, você deve ter percebido pelo nome com trocadilho, é a cozinha italiana. O burburinho turístico ali é bem mais presente que no Chelsea. Ainda assim, com frequência de moradores garantida.