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O nome que se dá aos países

Tania Valeria Gomes

13 Abril 2009 | 10h33

A propósito de recente menção de mr. Miles à Holanda, o leitor Richard Overgoor pede que se esclareça que o nome correto do país conhecido pelas tulipas e pelos moinhos é Países Baixos, tradução literal de De Nederlands, em flamengo ou Netherlands, em inglês. Explica o leitor que esse nome deriva do fato de que cerca de 40% do território do pequeno país europeu situa-se abaixo do nível do mar e só pode ser habitado graças a um notável sistema de diques. “Holanda — explica o atento leitor —, é apenas o nome de uma província, da qual se originava grande parte dos navegadores que desbravaram novas fronteiras nos séculos 16 e 17. Perguntados de onde vinham, eles diziam: ‘Da Holanda’ — e o nome pegou.
Nosso incansável viajante agradece a intervenção de mr. Overgoor e aproveita para mencionar que “a questão da nomenclatura dos países é, indeed, deveras complicada e pouco criteriosa, resultando em fenômenos curiosos. Os alemães, por exemplo, que todos sabemos viver em um lugar chamado Germany, ganharam o curioso apelido de Alemanha e termos parecidos por parte dos povos de língua latina. However, eles têm certeza de que seu país chama-se Deutschland! It’s amazing, isn’t it? Ainda mais curioso é o caso de dois países sem qualquer compatibilidade étnica, histórica e geográfica que, mesmo ocupando continentes distintos têm o mesmo nome, que é também o nome de uma ave da familia dos meleagridideos muito apreciada nos grandes banquetes. Refiro-me, of course, à Turquia, que no idioma de Shakespeare, Bernard Shaw e James Joyce chama-se Turkey, ou peru, na língua de Camões, Machado de Assis e, my God, Paulo Coelho. Em outras palavras, my friends, pela estranha via da transliteração dos nomes dos países, a Turquia e o Peru são nações homônimas… E mais não digo porque vocês hão de pensar que exagerei no scotch.”
A seguir, a carta da semana:

Mr. Miles: gosto muito de sua coluna e gostaria de saber: o senhor é mesmo o homem mais viajado do mundo?
Matheus Cohen de Francesco, por email

Revestida em diferentes embalagens, my friend, a sua pergunta vive aparecendo em minha caixa postal. Volto a dizer que não tenho a menor idéia sobre a legitimidade desse epíteto, a mim atribuido por diferentes publicações around the world. Não me consta de que meu nome apareça no Guiness Book of Records, uma bem-sucedida idéia de meu saudoso amigo, sir Hugh Beaver, à época diretor-administrativo da indústria de cervejas Guiness da qual, by the way, alguns amigos irlandeses quebram diariamente o recorde de ingestão. Não sou um colecionador de países, nem desperdiço meu precioso tempo de viajante calculando as milhas que percorrí, as cidades que visitei ou os lugares onde estive. O própria frase que ilustra essa coluna, indicando o número de países e territórios ultramarinos supostamente no meu curriculo é uma divertida alegoria dos editores com o objetivo de valorizar meus modestos feitos.
Devo presumir, however, que fatores como a minha extraordinária longevidade e a indesmentível curiosidade que tenho pelo desconhecido fazem desse modesto súdito de Sua Majestade, a Rainha Elisabeth, um viajante invulgar.
Há, in fact, os que se impressionem com os passaportes que guardo na casa de tia Abigail — catorze volumes encadernados, com uma espessura ligeiramente maior do que a Enciclopédia Britânica —, mas esse parâmetro também tem pouco valor desde que muitas nações aboliram o carimbo de recepção.
Meu conselho, dear Matheus, é que você dê menos atenção a esses detalhes e, as soon as possible, parta também mundo afora. Se você aprecia a minha coluna como diz, esse será um ótimo caminho.