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O risco de viajar com amigos

Tania Valeria Gomes

03 Dezembro 2009 | 10h39

Sem mais delongas, notícias de nosso infatigável viajante.

Querido Mr. Miles: meu marido e eu vamos passar vinte dias viajando pela Europa com um casal de amigos e eu temo problemas de relacionamento, porque já ouvi muitas histórias parecidas. O que devo fazer para minimizar esse problema? (por motivos óbvios, vou me identificar com nome falso)
Viajante assustada, por email

Well, my dear, sua questão é muito sensata. Unfortunately, conheço muitos casos de férias que começaram animadas, tornaram-se constrangedoras, depois, beligerantes e terminaram, abertamente, em pé-de-guerra, com amizades desfeitas forever.
Anos atrás, quis ser gentil com um amigo de trinta anos e, estando de partida para o sudeste asiático, decidi convidá-lo e à sua mulher para que me acompanhassem na jornada. Pois aquele bom e sábio irmão de tantas décadas retrucou-me sem pestanejar: ¨Desculpe, Miles, mas eu não viajo com estranhos¨.
Confesso que me senti ofendido com a resposta, mas, mais tarde, lembrando-me de suas pequenas manias, de sua intransigência com horários e de sua obsessão por fazer as coisas à sua maneira, compreendi que ele estava trocando uma viagem arriscada por uma amizade segura. Do you know what I mean?
As you know, freightned traveler, nem todos têm a capacidade de partir mundo afora sem transportar na bagagem suas próprias idiossincrasias. Ocorre, por exemplo, de um cidadão de hábitos diurnos viajar com um amigo de hábitos noturnos e essa pequena diferença de comportamentos sequer ser notada nos primeiros dias da jornada. Aos poucos, however, o fulano que acorda cedo começa a incomodar o sicrano que dorme tarde e esse, por sua vez, passa a irritar o companheiro ao retornar tarde e ruidosamente ao quarto que compartilham. Ambos ainda não sabem, mas suas férias estão condenadas como uma casa cujos alicerces estão tomados por cupins. As desavenças, quase sempre, nascem de pequenas… as you say… picuinhas. A escolha de um restaurante; o tempo a se gastar em uma determinada atração; as emoções distintas que cada viajante sente quando exposto às novidades que surgem pelo caminho.
Os Havilland romperam relações com os Simpson em uma viagem à New York porque esses últimos (Maureen, sobretudo), gastaram tanto tempo em compras que o espetáculo da Broadway, reservado para aquela noite, acabou perdido. Os Trevor nunca mais falaram com os Carrigan porque, em uma viagem de carro pela França, o confronto de indicações rodoviárias transformou-se em conflito aberto – a ponto de os Trevor decidirem abandonar o veículo no meio da Borgonha.
As histórias, as you see, repetem-se. Mas, of course, não precisam terminar sempre mal. Minha primeira recomendação é a favor de uma conversa franca que anteceda a viagem e levante, sem medo, os possíveis problemas.
Durante a jornada, my dear, é fundamental que a programação seja diariamente debatida e, em caso de desacordo, cada casal opte por seu próprio itinerário, com liberdade e sem cerimônia. Mas o mais importante, em minha modesta opinião, é que se comemore junto e com a alegria devida, os momentos em que os projetos de ambos os casais confluírem para uma mesma direção e resultarem em mútuo prazer. Nesses casos, darling, a viagem será um sucesso e os amigos permanecerão. O único inconveniente, I´m afraid, serão aquelas maçantes reuniões para rever fotos. No futuro, e por muitos e muitos anos.