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Onde fica o melhor bar do mundo

Tania Valeria Gomes

26 Novembro 2008 | 15h50

Nosso solerte viajante anuncia que começa a ficar incomodado com o mal-humor do outono britânico e está de malas prontas para latitudes onde “as temperaturas estão mais tépidas e as mulheres menos vestidas”. Especula-se que, desta vez, ele finalmente reapareça no Brasil, onde, entre outras visitas não anunciadas, deverá encontrar o seu fabricante capixaba de pios. Para os que não sabem, mr. Miles é um paciente birdwatcher e, a seu ver, há, no Espírito Santo, um dos mais notáveis fabricantes de instrumentos de sopro para atrair aves ariscas.
Fontes que preferem manter a discrição garantem que nosso correspondente britânico precisa de três pios específicos: os que atraiam jaós, marrecas-irerê e tururins.
A seguir, a correspondência da semana:

Mr. Miles: como apreciador de viagens e bares, qual é, na sua opinião, o melhor dos bares do mundo?
Walter Julius Saraiva, por email

Well, my friend, quem sou eu para responder uma pergunta dessa magnitude? Nem Hemingway — que, segundo algumas fontes, teria visitado cerca de 98,3% dos estabelecimentos existentes ao seu tempo —, ousou pontificar a respeito. O que poderá dizer um humilde viajante que, com toda a certeza, sequer chegou a encostar os cotovelos em 70% dos bares do planeta?
Não, fellow, conheço meus limites. O que não me impede, of course, de citar dois ou três bares históricos. Como o mitológico El Pimpi, em Málaga, muito ligado a história das touradas andaluzas — onde, dizem, o sangue de alguns toureiros foi bebido por seus amigos diluído em jerez. Ou o Foxy’s, em Jost Van Dyke, nas Ilhas Virgens Britânicas. É seguramente o bar que hospeda o réveillon mais agitado do planeta, um tradicional ponto de encontro de velejadores, cuja baía adjacente torna-se um atracadouro de colossais dimensões ao final de cada ano. Eu mesmo já estive lá e só fui reencontrar o barquinho em que vim na terceira semana de janeiro. Can you believe in such a mess?
O mais mencionado de todos, however, chama-se Peter Café Sport, fica na cidade de Horta, na ilha do Faial, em Açores e conquistou sua reputação pela qualidade de seu gim-tônica e a hospitalidade de José de Azevedo — believe me or not, o Peter do nome. José ganhou a alcunha por sua semelhança com um marinheiro homônimo da Royal Navy e adotou-a com o maior espírito esportivo. Tantos marujos saciaram, com Peter, sua sede de liquor and land que ele acabou sendo oficialmente homenageado e reconhecido por sociedades navais de todo o Atlântico Norte. Estive lá muitas vezes, naquelas nove ilhas distantes que alguns dizem ser o centro do mundo e os últimos picos da Atlântida.
Sempre fui bem recebido por Peter, bebi com fartura e comi ótimas iguarias portuguesas. O bar é tão cheio de lendas, que há os que garantem que o próprio Papa João Paulo II aparecia por lá para tomar uns copos. Não ouso afirmar que é o melhor entre todos os bares, até porque, desde pequeno aprendi que não há pub como seu local pub.
Mas garanto-lhe que é o único onde você vai encontrar um Museu de Arte de Scrimshaw, com lindos trabalhos gravados e pintados em marfim de cachalote. Que lhe parece?