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Percalços de um voo cancelado

Bruna Tiussu

15 Junho 2010 | 17h56

É manchete do Estadão de hoje: Atraso de 1 hora em voo já será punido. A Anac definiu novas regras que asseguram mais direitos aos passageiros afetados por voos atrasados, como reembolso imediato e integral, prioridade nos assentos vazios, facilidades de comunicação, alimentação e acomodação adequada – de acordo com o número de horas do atraso.

As medidas parecem justas e de bom tamanho até você ser um desses passageiros que, do aeroporto, pronto para embarcar e com a cabeça no compromisso que terá na cidade destino, escuta que seu voo sairá uma hora mais tarde que o horário previsto. Logo, duas. E, enfim, ouve que ele não vai mais decolar.

Vivi esta situação nada confortável na semana passada, quando pretendia voltar de Munique, na Alemanha, para São Paulo em um voo da Lufthansa. Aí surge o pensamento: pelo menos quando se trata de uma aérea europeia, que integra o grupo das grandonas, tudo o que é de direito do consumidor será rigorosamente cumprido. E realmente foi. O problema é que é impossível ficar satisfeito com o que a lei prevê.

Primeiro tive que aguardar 45 minutos até ser atendida por uma mocinha da companhia que supostamente estava ali para ‘resolver o meu problema’. Antes de mim, ela certamente atendeu alguns três outros passageiros insatisfeitos com o cancelamento do voo. Mas isso não tem absolutamente nada a ver comigo, e mesmo assim, tive que encarar uma atendente nada simpática e, digamos, um pouco grosseira.


Após reagendar meu voo para a noite seguinte, ganhei um papel que dava direito a uma noite e o dia seguinte num hotel perto do aeroporto de Munique, um vale jantar, outro para o almoço e um bilhete do ônibus que me levaria até a hospedagem. Só faltava recolher minha bagagem na esteira e estava pronta para sair dali.

Porém, depois de uma hora de espera, minha mala não apareceu. Ganhei, então, o que apelidei de ‘kit sobrevivência’, com escova de dentes, desodorante e outros itens de higiene pessoal. Ah, e a garantia que minha bagagem seria entregue em meu hotel até às 10 horas da manhã seguinte.

Com minha mochila e meu novo kit, deixei o aeroporto atrás do tal ônibus. A surpresa: eles encerravam às 22h45, e já eram 23h35. Primeiro momento de botar a mão no bolso à contragosto: o táxi para o hotel me custou 12 euros.

Depois de instalada, foi inevitável gastar outros euros: a Lufthansa paga sua refeição, mas não sua bebida. Há conexão Wi-Fi no hotel, mas você tem que pagar por ela. E, para me surpreender mais uma vez, minha bagagem não apareceu por lá até às 17h do dia seguinte, quando eu saía outra vez para o aeroporto. 

Fui encontrá-la quando estava embarcando no novo voo – disseram que não estava perdida, só não puderam encontrá-la em um dos vááários depósitos da companhia (??). Ao menos ela apareceu na esteira do aeroporto de Guarulhos. Mas se não estivesse ali, certamente não seria mais uma surpresa para mim.