Passeios de trem estão de volta
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Passeios de trem estão de volta

Bianca Ribeiro

28 Junho 2010 | 14h44

Boas novas para quem curte um charmoso passeio de trem. Três trechos que ficaram interditados – São Paulo-Paranapiacaba e Cosme Velho-Cristo Redentor, no Brasil, e Cuzco-Machu Picchu, no Peru, voltam a funcionar.


No caso de Paranapiacaba, o percurso ficou parado por mais de dez anos e só vivia na recordação de quem, como eu, já fez esse trajeto. Os saudosistas, no entanto, podem se animar. O trem voltará a circular, mas agora com nova proposta. O Projeto Expresso Turístico levará 174 passageiros em uma composição pequena da década de 60, uma locomotiva e dois vagões, que foi totalmente recuperada. E com apenas uma parada, em Santo André.

Ir à Paranapiacaba de trem tem outro gostinho. A composição desacelera lentamente ao chegar à estação. Da janelinha se vê, ao longe, a alta torre do relógio que dá as boas vindas. O estilo arquitetônico inglês das casinhas de madeira e a névoa que cobre a atmosfera nos transportam para uma cidadezinha no interior da Inglaterra. Mas a visão da mata atlântica fechada, com árvores imponentes, no alto da Serra do Mar, logo tira essa impressão. Sim, estamos na Vila de Paranapiacaba, que pertence ao município de Santo André, colado à capital.

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O "Big Ben" da Vila de Paranapiacaba. Foto: Mônica Zarattini/AE

O Expresso Turístico sairá pela manhã da Estação da Luz, no centro da capital, e retornará no fim da tarde, em um percurso de uma hora e meia. O primeiro apito do trem vai soar no dia 18 de julho, durante o Festival de Inverno de Paranapiacaba. Um bom motivo para conhecer as atrações da charmosa vila e ainda curtir a programação do festival, totalmente gratuito, que inclui shows de Zeca Baleiro e Ana Cañas. No domingo seguinte, 25 de julho, o encerramento ficará por conta dos sambinhas de Maria Rita. Depois do evento, os passeios serão quinzenais, sempre aos domingos. A passagem de ida e volta custa R$ 28.

A Vila de Paranapiacaba foi implantada nos anos 1860 para funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway. A estrada de ferro transportava passageiros e cargas do interior paulista ao Porto de Santos. Engenheiros ingleses vieram para cá e deram uma cara totalmente britânica às construções. O grande relógio, o “Big Ben” da vila, foi fabricado pela Johnny Walker Benson, de Londres.

Trem do Corcovado

No Rio, o Trem do Corcovado, aos pés do Cristo Redentor, voltará a funcionar no dia 15 de julho. Interditado desde abril por causa das fortes chuvas na região, mais de R$ 4 milhões foram investidos para a volta das operações do trem, inaugurado em 1884 pelo imperador Dom Pedro II. A linha férrea ganhou melhorias e a estação conta agora com novos banheiros. O Hotel das Paineiras, no meio da Floresta da Tijuca, fechado há 26 anos, será revitalizado e deve reabrir em dois anos, a tempo da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. A ideia é que o hotel, com 126 anos, tenha instalações de luxo e um restaurante gourmet.

O centenário Trem do Corcovado volta no dia 15. Foto: Divulgação

O centenário Trem do Corcovado volta no dia 15. Foto: Divulgação

Nos 20 minutos do trecho, o trem o trem atravessa a maior floresta urbana do mundo, o Parque Nacional da Tijuca. Lá do alto, a 710 metros de altura, se tem uma vista ampla da Cidade Maravilhosa. O passeio leva 120 passageiros a cada vez e a passagem custa R$ 36.

Peru

A maneira mais tradicional de chegar até Machu Picchu é pela via férrea que liga Cuzco até o antigo povoado inca. O trajeto ficou parcialmente interditado desde as fortes chuvas que atingiram o Peru em fevereiro e fizeram transbordar o Rio Vilcanota.

Nos últimos 3 meses, na fase de recuperação após os estragos do começo do ano, apenas o trecho entre Piscacucho, no quilômetro 82, e a Cidade Perdida, no 110, estava em funcionamento. O embarque, a partir de agora, pode ser feito em três estações: além de Cuzco, Poroy e Ollantaytambo. Por enquanto, o trem está circulando com velocidade reduzida.

O tradicional trajeto entre Cuzco e Machu Picchu foi reaberto. Foto: L.C.Leite/AE

O tradicional trajeto entre Cuzco e Machu Picchu foi reaberto. Foto: L.C.Leite/AE

O trajeto pelos trilhos leva cerca de 4 horas. Pela janelinha, a paisagem vai mudando: da planície do Vale Sagrado até a exuberância da floresta tropical. A viagem é bastante confortável, com bons assentos, diversas refeições e até apresentações de músicos locais. As passagens podem ser compradas pelo site: www.perurail.com.