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Pernoite numa hospedagem nada convencional

Felipe Mortara

25 Outubro 2013 | 19h59

Madeline Chambers/REUTERS

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Enterrado nas florestas da região alemã da Turíngia está um bunker de 3.600 metros quadrados da época da Guerra Fria que oferece aos hóspedes uma experiência que eles não vão esquecer tão cedo: uma noite espartana como um soldado do Exército do Povo da antiga Alemanha Oriental comunista. Não espere frigobar, serviços de spa nem uma recepção calorosa dos funcionários. Esse é o Bunker-Museum, em Ilmenau, a 330 quilômetros de Berlim.

Os hóspedes recebem uniformes militares, que incluem calças, coletes, cintos, capacetes e até uma máscara de gás, enquanto um homem em uniforme de oficial dá ordens em alto e bom tom para marchar através das árvores coníferas com bagagem, e encontrar o bunker.


O Waldhotel Rennsteighoehe, que oferece pacotes de “experiência de realidade” de 16 horas,  dá aos clientes exatamente o que eles querem, segundo o funcionário Manuel Ebert. “A demanda é forte. O pernoite é leve e não pretende ser muito intenso, mas as pessoas vêm para experimentar a História e é  isso o que eles recebem”.

Depois de fazer suas próprias camas na beliche, mulheres descascam e picam batatas para o jantar, enquanto os homens ficam de guarda e preparam um churrasco onde salsichas picantes são assadas. Os soldados turísticos podem desfrutar de um tratamento depois de escurecer:
cerveja, vodka ou um espumante alemão chamado Rotkaeppchen .

O bunker, cuja entrada está escondida por uma cabana com tanques estacionados do lado de fora, foi construído na década de 1970 e gerido pela temida polícia secreta Stasi, que aprisionou milhares de cidadãos que considerados adversários do Estado. Sua finalidade era permitir que uma elite militar executasse um plano de ação dali, no caso de um ataque. E também para sobreviver, caso a maioria da população local fosse dizimada .

Rifles Kalashnikov, granadas de mão, chuveiros de descontaminação e suprimentos de oxigênio estão em exposição no bunker para aumentar a sensação de autenticidade. Os clientes são de todas as idades – de 18 a 75 anos –, muitos dos quais ganharam vouchers para a viagem como um presente de amigos ou da família, mas eles dizem que a experiência é uma grande surpresa. E diversão também.

Hans- George Tiede , 66, que descreveu sua visita com seus dois filhos como “instigante”, viveu sob o comunismo e era um recruta no Exército do Povo entre 1972 e 1973. “Isso me fez pensar em quantas construções como esta foram erguidas no Leste naquela época. Quanto dinheiro foi jogado para que um punhado de pessoas pudesse viver 14 dias mais?”, disse. “Isso me fez ver o quanto as pessoas eram, e ainda podem ser, manipuladas”.