Pra lá de Marrakesh
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Pra lá de Marrakesh

Adriana Moreira

03 Dezembro 2013 | 02h00

Pelas dunas do Saara no lombo de um dromedário (pois é, não tem camelo por lá) ou em meio ao ritmo caótico dos mercados de rua, a certeza de uma aventura inesquecível. ‘Inshallah!’

Travessia no deserto do Saara rumo a tendas cheias de mordomias – Foto: Isadora Peron/Estadão

Isadora Peron / MARRAKESH

É preciso querer deixar a zona de conforto – sem necessariamente se afastar tanto assim dela – para planejar uma viagem ao Marrocos. Separado da Europa apenas pelos 14 quilômetros do Estreito de Gibraltar, este país do norte africano é a porta de entrada perfeita para um primeiro contato com o mundo árabe e a cultura muçulmana.


Mas não se engane. Tudo, à primeira vista, vai parecer caótico. Uma confusão de línguas, uma mistura de sabores, cheiros que você vai fazer questão de não identificar… Você vai se sentir desafiado a decifrar este país desde o momento em que desembarcar do avião. O exercício cansa, mas recompensa.

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Foram dez dias de viagem, 2,5 mil quilômetros rodados e a certeza de que não é à toa que os marroquinos adoram dizer que vivem num “país de contrastes”. Praia, montanha, deserto, cidades imperiais. As paisagens são tantas, e por vezes tão inesperadas, que tiram o fôlego. Literalmente.

Aqui vai, então, uma primeira dica. Se quiser realmente explorar este lugar, vá por terra. As estradas, acredite, são boas, apesar de cheias de curvas. Alugue um carro, embarque num ônibus, pare, contemple. O caminho entre as duas principais cidades do país, Marrakesh e Fez, reserva as melhores surpresas e te conduz ao cenário mais encantador de toda a viagem: as dunas de areia do Saara.

Até mesmo depois de passar a noite no deserto (leia ao lado), e achar que nada mais te surpreenderia, a viagem continua cheia de descobertas. Imagine a cena. Sentado no ônibus, você esquece da vida e conta as horas para chegar a Fez. O cenário parece apenas uma repetição sem fim de um terreno seco e pedregoso. É verdade que um ou outro vale cheio de palmeiras aparece no horizonte, mas é de repente que tudo muda.

Quando você se dá conta, está no meio de uma floresta de cedros, que, dizem os marroquinos, tem cheiro de felicidade. A próxima parada é numa cidade chamada Ifrane. A sensação é que você saiu do Marrocos e chegou à Suíça. Para os paulistas, difícil não se lembrar de Campos do Jordão.

Parado no tempo. É também através dessa jornada pela Cordilheira do Atlas que você vai entrar em contato com a cultura berbere, os primeiros habitantes do Marrocos, que hoje representam 60% da população do país. O tempo parece ter parado. Esse povo, que tem dialeto próprio e mantém vivas as suas tradições, ainda mora em casas esculpidas nas montanhas ou em casbás, vilas tribais cercadas por muralhas, que, geralmente, pertenceram a uma família importante.

Tudo muito diferente da arquitetura encontrada nas cidades imperiais. Aqui, a riqueza de detalhes dá o tom, os mosaicos são onipresentes. O tipo de construção mais tradicional são os riads – casas com pátio interno que, nos últimos anos, se transformaram em hotéis e restaurantes de luxo.

Nesse contexto, as mesquitas são um espetáculo à parte. Suas torres, chamadas de minaretes, são altas e costumam destoar da paisagem que as cercam. É lá do alto que se fazem os chamados para a oração, que você rapidamente vai aprender a identificar.

Ao final da jornada, a imersão na cultura marroquina será tamanha que você provavelmente terá incorporado algumas palavras árabes ao seu repertório. Seja um simples lá (não) ou o educado shukran (obrigado). Na bagagem, além de lenços, babuches e um punhado de areia, você trará também a certeza de ter feito uma viagem inesquecível. Inshallah (se Deus quiser)!
– A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA REPRESENTAÇÃO OFICIAL DE TURISMO DO MARROCOS

 

CENÁRIO: 

No Marrocos, faça como os marroquinos
Não, não tentaram me trocar por camelos em Djemaa el Fna, a famosa praça de Marrakesh. Mas uma mulher estrangeira, mesmo que não esteja viajando sozinha, chama atenção no Marrocos. Embora acostumado com o turismo, trata-se de um país muçulmano e, como diz o ditado: em Roma, faça como os romanos.

Não se trata de extremismo, mas viajar também é conhecer – e respeitar – os costumes locais. As mulheres marroquinas não usam burca, mas muitas vestem o djellaba (vestido tradicional marroquino) e costumam cobrir a cabeça com um lenço.

Portanto, use o bom senso e deixe as saias curtas e decotes para outro destino. Leve um lenço para entrar no clima – e fazer um charme.

Essas dicas valem especialmente na visita às medinas, as cidades antigas cercadas por muros, repletas de comércio, construídas ainda na Idade Média.

Confesso que, em alguns momentos, não segui estritamente essas regras e fiquei incomodada. Nada demais, mas a sensação poderia ter sido evitada com uns palmos a mais de vestido.

As recentes reformas pelas quais o país passou trouxeram mais igualdade de direitos às mulheres (e isso é motivo de orgulho para os marroquinos), mas os ambientes públicos são dominados pela presença masculina. Uma cena comum são os cafés só com homens sentados. Nem entre, especialmente se estiver viajando sozinha.

 

SAIBA MAIS:

  • Passagem aérea: o trecho São Paulo – Marrakesh – São Paulo custa desde R$ 3.501 na Iberia (iberia.com); R$ 3.650 na TAP (flytap.com) e R$ 4.151 na Air France (airfrance.com.br). Outra opção é ir via Casablanca. Ida e volta, desde São Paulo, sai por R$ 3.070 na Iberia; R$ 3.755 na Air France e R$ 3.790 na TAP.
  • Moeda: R$ 1 vale 3,56 dirhams
  • Visto: não é necessário para brasileiros
  • Site: visitmorocco.com
  • Pacotes: veja opções em blogs.estadao.com.br/viagem