Praias: os exemplos que vêm da Bahia
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Praias: os exemplos que vêm da Bahia

Mônica Nóbrega

25 Novembro 2013 | 19h58

Por Ricardo Freire


 

Semana retrasada apontei as dores do crescimento desregrado de Jericoacoara. Muita gente acha que problemas de trânsito e bagunça em destinos de massa são inevitáveis. E mais: irreversíveis. Não são. Passei dois meses na estrada pela Bahia e trago exemplos que merecem ser copiados.

Na Praia do Forte, tolerância zero com bagunça. Foto Ricardo Freire/Estadão

Praia do Forte. A apenas 55 quilômetros da terceira maior cidade do país, é manejado com pulso firme pela prefeitura de Mata de São João, que herdou os preceitos rígidos de Klaus Peters, o paulista que pôs a Praia do Forte no mapa. Carros não circulam no miolinho e precisam estacionar em bolsões, ou serão guinchados. Apenas os quiosques da praia central têm permissão para preparar comida. Não há barracas próximas às piscinas naturais. Os predinhos seguem um padrão homogêneo (e praiano). Não é mais um vilarejo de pescadores: virou um shopping a céu aberto cenografado como vilarejo de pescadores. Mas basta uma visita a Porto de Galinhas para ver como é extraordinário o que foi feito na Praia do Forte. A propósito: a vizinha Imbassaí, também em Mata de São João, ganhou uma urbanização discreta e ecologicamente correta.

Morro de São Paulo. Estava à beira da favelização. Foi quando uma estradinha paralela foi feita para absorver todo o trânsito motorizado. Na vila, só circulam carrinhos de mão. Duas praias – a Segunda e a Terceira – ganharam deques de madeira. Há dois verões, o centro foi todo calçado (e ficou ótimo). É um destino festeiro e barulhento – mas 100% dos seus frequentadores sabem disso antes de chegar.

Arraial d’Ajuda. Graças à iniciativa de seus comerciantes, resistiu ao “embregamento” da vizinha Porto Seguro. A Rua do Mucugê foi o primeiro boulevard de praia nordestino – e até hoje não tem mobiliário de plástico.

Caraíva. Melhor exemplo de comunidade que luta para não perder suas características. Passou anos exigindo que a luz elétrica só chegasse por cabos subterrâneos, sem postes. Em 2007, conseguiu. Hoje tem luz nas casas, mas as ruas de areia continuam iluminadas pelas estrelas.

Os maus exemplos. Mas nem tudo são flores na Bahia. Itacaré continua com o problema dos assaltos nas trilhas. Salvador teve suas barracas de praia derrubadas por ordem do Ministério Público, mas o que apareceu no lugar foi pior: sujeira e improvisação. E finalmente há o caso (perdido?) de Porto Seguro – mas um lugar que oficializa sua rua principal como Passarela do Álcool não merece um turismo melhor do que tem.