Programas quentes em pleno inverno europeu
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Programas quentes em pleno inverno europeu

Adriana Moreira

14 Janeiro 2014 | 03h30

Não tenha medo de ir ao Velho Continente nesta época. Basta escolher os passeios certos para ver as grandes cidades de um jeito diferente: mais tranquilas, introspectivas e, ainda assim, deliciosas

Coliseu, em Roma: poucos turistas, mesmo charme – Foto: Tony Gentile/Reuters

Renata Reps / ESPECIAL PARA O ESTADO

Está frio também na Europa. Não tanto quanto nos Estados Unidos e Canadá, mas, ainda assim, é inverno por lá. E isso requer um planejamento um pouco diferente para quem visita o Velho Continente nessa época.


A vantagem é a ausência de aglomerações turísticas – mas nem pense em programar mais visitas para o mesmo dia por causa disso. Como as roupas de frio são pesadas e o dia tem menos horas de luz, é normal se sentir cansado antes do que você poderia imaginar. Vale a pena investir em um hotel mais confortável e estruturado, para poder ficar mais tempo nele.

Nada disso significa que você não vai aproveitar o inverno europeu. Basta fazer como os moradores e desacelerar. O segredo é intercalar parques e monumentos com museus e pausas estratégicas em cafés e restaurantes quentinhos para repor as energias. E deixar as cidadezinhas pitorescas para outra ocasião: nas grandes capitais você sempre terá o que fazer.

PARIS – Das compras ao chocolate

Começou na quarta-feira e vai até 11 de fevereiro a época das liquidações em Paris. As Galerias Lafayette (haussmann.galerieslafayette.com/pt-br), por exemplo, dão descontos de até 50% e são um belo programa mesmo para quem não quer comprar nada. O prédio art nouveau do início do século 20 tem na cúpula de vitrais a 43 metros de altura o seu símbolo. Há cafés, bar de vinhos e restaurantes variados.

Café Angelina, em Paris – Foto: Divulgação

Depois de horas pelos corredores aquecidos do Louvre, caminhe até o número 26 da Rue de Rivoli, ou desça na estação Tuilleries do metrô. O café Angelina faz o melhor chocolate quente à l’ancienne (à moda antiga) da capital. Um bule serve duas xícaras, e não saia dali sem um pacote de chocolate em pó para preparar a bebida por conta: é fácil e fica idêntico.

Na praça da prefeitura, tire uma manhã para testar a pista de patinação, aberta ao público até 16 de março. Custa 5 euros para alugar os patins, por quanto tempo você quiser – ou aguentar o frio.

ROMA – Em sua melhor forma: vazia

A partir do começo de fevereiro, as temperaturas na capital italiana ainda são baixas – em torno dos 10 graus –, mas o tempo fica seco. Sem chuva, sem multidões nas ruas e com preços mais amigáveis, Roma vive sua melhor forma no inverno.

A Osteria St. Ana (osteriastana.it), a 50 metros da Piazza del Popolo, é um desses restaurantes que ficam com preços mais em conta durante os meses frios. O cardápio é dividido entre pratos da terra e do mar, e o espaguete à carbonara é dos deuses.

A baixa temporada é boa época para conseguir reservar a disputada visita privada à Capela Sistina e suas salas secretas (darkrome.com; tours a partir de 22 euros), com direito a um guarda do Vaticano como guia e porteiro dos espaços que têm entradas vetadas a turistas regulares.

Em um dia ensolarado, visite os museus do parque Villa Borghèse, como a Galeria Broghèse e a Villa Médicis, santuários das artes clássicas italianas e francesas. Na hora da fome, vale um piquenique por ali.

LISBOA – Entre garrafas de vinho verde

Lisboa costuma ser escolhida pelos próprios moradores da Europa para escapar do frio intenso das demais capitais. Não se engane: apesar das temperaturas mais amenas, Portugal não costuma oferecer calefação nos ambientes. E a ventania que vem do Rio Tejo ajuda a baixar a sensação térmica. Você corre o risco de passar até mais frio que em Paris ou Londres.

Por isso, aproveite para fazer um passeio fechado em torno de uma das maiores preciosidades portuguesas: o Museu Nacional do Azulejo (museudoazulejo.pt) tem tantas belezas pintadas a mão que lá dentro você não vai ver o dia passar.
Entre garrafas de vinho verde, prove as pataniscas de bacalhau do restaurante O Poleiro (opoleiro.pai.pt). À tarde, visite as galerias de arte do Bairro Alto e fique por lá para esticar uma balada na agitada noite da cidade: no Armazém F. (armazemf.com), às margens do Tejo, a festa só termina de madrugada.

MADRI – Acolhida saborosa

A estação fria na capital espanhola já foi cenário até de romance policial, Inverno em Madri, do inglês C.J.Samson. Mas a verdade é que a cidade não tem nada de assustadora nos dias gelados. Pelo contrário, é acolhedora: todos os cafés oferecem os deliciosos churros que você mergulha em xícaras de chocolate quente.

Churros para acompanhar o café – Foto: Epitácio Pessoa/Estadão

Conheça também o restaurante Botin (botin.es), célebre por ser o mais antigo do mundo – de 1725 –, e prove o cordeiro assado famoso há quase 300 anos. Outro programa para aquecer é degustar vinhos em bodegas como a Santa Cecília (santacecilia.es).

Para queimar um pouco essas calorias, visite a coleção do Palácio Real do Pardo, umas das residências reais da Espanha, com atenção aos tapetes que decoram as paredes – alguns, feitos por Goya.

LONDRES – Direto ao pub, sem risco de errar

Londres é a cara do inverno. Uma vez na capital inglesa, nada pode ser mais típico do que seguir para um gastropub quentinho, comer uma boa carne com molho gravy e purê e tomar meio litro de cerveja – que nunca vem muito gelada. Alguns dos bares incrementam esse programa com lareira, como o The Southampton Arms (thesouthamptonarms.co.uk), que, além de calor, oferece cidras e cervejas feitas por pequenos fabricantes londrinos e comida de pub a preços módicos.

Uma das manhãs deve ser reservada ao Kew Garden (kew.org), um jardim com grandes estufas contendo plantas do mundo todo que simulam o clima tropical – e podem até fazer esquecer por instantes o frio que faz lá fora.
Dedique ainda uma tarde a um programa introspectivo na Dennis Sever’s House (dennissevershouse.co.uk). Trata-se de uma mansão do início do século 18 cujos dez quartos foram reformados para dar uma estranhíssima impressão de cápsula do tempo, como se alguém ainda morasse ali, mas tivesse acabado de sair. Cada cômodo tem decoração, energia e humor próprios.