Rumo ao Pantanal. Ou quase
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Rumo ao Pantanal. Ou quase

Adriana Moreira

18 Julho 2010 | 18h46

O encontro estava marcado para as 2h30 na Unidade Casa Verde da Casa Taiguara. Ali eu encontraria o grupo, formado por 26 pessoas – jovens em situação de risco social, educadores e voluntários – para uma viagem rumo ao Pantanal. Empresários cederam passagens aéreas, transporte e hospedagem para que meninos e meninas que vivem na casa, com idades entre 13 e 18 anos, passassem 9 dias na parte sul da planície alagada.

A ansiedade da experiência fez com que todo mundo passasse a noite em claro. Bolacha, café e vitamina de frutas ajudaram a forrar o estômago antes da chegada do ônibus nos levaria ao aeroporto de Guarulhos para pegar o voo das 5h35 até Campo Grande. Tiago, um garoto falante e animado, pergunta, antes do motorista acelerar: “Tio, a gente vai pegar a estrada?” Apesar de essa não ser a primeira viagem dos integrantes da Casa Taiguara – no Natal, um grupo ainda maior, de 70 pessoas, passou uma semana em Ubatuba -, a primeira viagem de avião conferia expectativa extra à aventura.

chile-embarque pantanalb - julho 2010 016

O trânsito livre da madrugada proporcionou que o percurso não levasse mais de meia hora, e às 3h30 já estávamos no aeroporto. Pausa para uma foto da galerinha repleta de malas antes de dar início ao check-in. A pasta de documentos  é grande: o juiz precisa autorizar a viagem de cada um deles e a companhia aérea xeroca toda a papelada. Problema extra: uma das meninas não tem documentos originais, apenas xerox. Parece que ela não vai conseguir embarcar mas a Anac verifica os papéis emitidos pelo juiz e dá o ok final. Ufa.


O relógio passava das 4h30 quando todo o imbróglio foi resolvido e todos puderam, finalmente, entrar na sala de embarque. Os aviões estacionados no pátio, fazendo manobras, chamava a atenção. O embarque parecia iminente, mas… “Por causa de problemas meteorológicos, o Aeroporto de Campo Grande se encontra fechado. O próximo boletim será divulgado às 6 horas”, informou a atendente pelo autofalante, emendando um “pela atenção, obrigada”.

O avançado da hora fez com que um grupo tentasse cochilar sob a escada rolante. Outros jogavam cartas e houve quem preferisse apenas jogar conversa fora até que a hora do aviso seguinte chegasse, trazendo finalmente a notícia que… seria preciso esperar mais um boletim meteorológico, às 7 horas.

Quando os ânimos pareciam esmorecer, alguém reconhece a cantora Tati, da banda de reggae gaúcha Chimarruts. Meninos e meninas pedem para tirar fotos e são recebidos com sorriso, simpatia e muito bate-papo, desafiando o tempo que parece não passar na cadeira do aeroporto. “Já valeu a espera só para ver ela (Tati)”, diz Cidia, uma das fãs.

As conversas ainda giravam sobre o encontro com a cantora quando chegou o boletim derradeiro: a densidade da neblina cancelou os voos de todas as companhias para a capital sul-matogrossense. Decepção geral. Alguém diz que não quer voltar mais. Outro não entende porque aeronaves para outros destinos conseguem decolar, mesmo com as explicações técnicas.

chile-embarque pantanalb - julho 2010 022

É preciso telefonar para Campo Grande, remarcar os transfers, conseguir uma maneira de retornar à Casa Verde. O preço do Airport Bus Service até a Barra Funda (R$ 31 por pessoa) inviabiliza a volta. Mas o empresário que cedeu o ônibus escolar para levar os meninos até o aeroporto concorda em buscá-los novamente. Só seria preciso esperar.

Com as passagens remarcadas para a madrugada de segunda para terça-feira e tempo para descansar da infortúnia maratona, quase todos usaram os bancos para cochilar e se recuperar para a aventura de fato. Se o tempo melhorar, é claro. São Pedro, dá uma ajudinha?