Saint-Junien, a casa das luvas Hermès
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Saint-Junien, a casa das luvas Hermès

Bruna Tiussu

05 Dezembro 2011 | 18h50

Por Bruna Tiussu

Quando o mercado de lã era o forte do vilarejo francês de Saint-Junien, na região de Limousin, a população tratou de achar uma finalidade para o couro antes desperdiçado. Começou, então, a fabricar luvas. Desenvolveu técnicas manuais, designs variados, se industrializou. Até que a pequena vila se tornou a capital nacional da luva de pele e, no fim do século 19, chegou a empregar quase 2 mil trabalhadores luveiros.

Após crises econômicas, concorrência estrangeira e a mudança no modo de se vestir – que relegou às luvas o caráter de acessório -, o know-how da produção continua lá, mas apenas três fábricas sobrevivem da confecção do produto. A mais antiga delas, com um plus: é a única fornecedora das elegantésimas luvas da grife Hermès.

O design vem da matriz, em Paris, mas toda a confecção é realizada na Ganterie Hermès de Saint-Junien, fundada em 1919 como resultado de um movimento de trabalhadores. Hoje, cerca de 50 funcionários dão conta das mais de 20 etapas de produção, todas manuais, que cada par de luva requer para exibir o selo de qualidade da grife francesa. Somente depois de três anos de treinamento um artesão é considerado apto para todo o processo e, como não há  mais escolas formadoras de artesãos no vilarejo, a técnica é passada dos mais velhos aos mais novos no próprio ateliê.


Fotos: Bruna Tiussu/AE

 

Dentre outras etapas, o profissional deve saber escolher o melhor pedaço de couro, esticá-lo (com uma força e intensidade impressionantes) para garantir a maciez das luvas, cortá-lo, costurá-lo e aplicar os devidos adornos. Um trabalho milimetricamente cuidadoso, que requer olhos mais que precisos e mãos super habilidosas. E que ajuda – Ok, ao menos um pouquinho – a compreender a plaquinha de 540 euros (ou mais!) que acompanha um par de luvas na vitrine de uma Hermès.