Santiago mostra dois lados de Cuba
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Santiago mostra dois lados de Cuba

Mônica Nóbrega

24 Março 2009 | 19h23

Das torres do Castillo San Pedro del Morro tem-se a vista mais bela de dois  ícones da geografia cubana. Ao sul está o Mar do Caribe, cujas ondas batem  na base da colina sobre a qual fica a fortaleza. Ao norte, a lendária Sierra  Maestra estende-se por uma linha que se confunde com a do horizonte. 

Castillo San Pedro del Morro em Santiago de Cuba. Foto Mônica Nóbrega/AE

Castillo San Pedro del Morro em Santiago de Cuba. Foto Mônica Nóbrega/AE

Localizado a 10 quilômetros de Santiago de Cuba, o preservado castelo do  século 17 serve como síntese das contradições essenciais da cidade, a  segunda maior do país, a 860 quilômetros de Havana, 14 horas de viagem de  ônibus. Não muito longe, fumaça de chaminés de fábricas suja a atmosfera.  Santiago é assim: linda e poluída, histórica e cheia de dilemas bem atuais,  colorida e cinzenta. 
Aqui sente-se no ar um quê de metrópole mais evidente até do que em Havana.  Compacta, a cidade distingue menos áreas turísticas daquelas que todo  destino prefere esconder. Seus moradores se movimentam entre os pontos de  ônibus e os armazéns de distribuição de alimentos – a comida é racionada e  os cubanos só podem comprá-la com cupons dados pelo governo. Eles, aliás,  detestam ver uma máquina fotográfica por perto quando estão nessas filas. 
A cidade fundada pelo conquistador Diego Velásquez foi capital do país  durante 31 anos, no século 16. Perdeu o posto para Havana, mas não a  relevância histórica. Antonio Maceo, comandante da independência cubana,  nasceu lá. Fidel Castro, então estudante, lançou ali os fundamentos de sua  nascente revolução e a família Bacardi, primeira fabricante de rum do país,  era santiaguense. 
Memórias desse passado estão distribuídas pelas Ruas Heredia e Enramada e  nas vielas transversais. O Museu Bacardi, o mais antigo de Cuba, tem acervo  militar, arqueológico e de artes plásticas, com pinturas cubanas dos séculos  19 e 20. 
A ex-capital é a cidade mais musical de Cuba, verdadeiro celeiro de  talentos. Basta dizer que Ibrahim Ferrer e Compay Segundo, do Buena Vista  Social Club, foram revelados em seus palcos. Nem é preciso andar muito para  descobrir lugares como a Casa da Trova (Calle Heredia, 208), onde há sempre um grupo disposto a  executar números para os visitantes. Ou o Museu do Carnaval (Calle Heredia, 303), em homenagem à  festa mais popular de Cuba, que, no calendário deles, cai em julho. 
O cheiro de café acompanha a caminhada. A província de Santiago de Cuba é a  principal produtora do grão no país e prepara o melhor cafezinho cubano. Nas  mesas de madeira maciça do La Isabelica (Plaza Dolores), tente escolher entre as 103 opções  do menu. Uma ajudinha: a versão energética, com café, rum e mel, é incendiária. Por 3 pesos conversíveis (R$ 7,50), garante aporte de energia  imediato.