São Miguel dos Milagres solo: vale a pena?
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São Miguel dos Milagres solo: vale a pena?

Adriana Moreira

03 Dezembro 2013 | 05h00

VIAJE NA PERGUNTA:

Ouço falar muito bem de São Miguel dos Milagres, mas não descobri se a cidade tem um centrinho. É roubada ir sozinha? (Alice, São Paulo)

Praia do Toque: só sossego – Foto: Ricardo Freire/Estadão

Este trecho da costa alagoana se desenvolveu de maneira bastante diferente do que estamos acostumados a ver no litoral. A estrada principal, que leva de Maceió a Maragogi, desvia para o interior logo depois de Barra de Santo Antônio, e só volta para junto do mar adiante de Japaratinga. Isso ajudou a preservar 50 quilômetros de lindas praias.


Além disso, praticamente toda a costa era tradicionalmente ocupada por fazendas de coco. Muitos dos povoados da região – como São Miguel dos Milagres, Toque, Tatuamunha e Laje – estão localizados ao longo da estradinha vicinal, a 2 quilômetros da praia. Apenas quatro vilarejos ficam à beira-mar: Barra de Camaragibe, Porto da Rua, Porto de Pedras e Japaratinga. 

A vida social desses povoados é sobretudo local: os centrinhos não foram modificados para entreter turistas, com restaurantes, bares e footing. Não espere encontrar a dinâmica de vilarejos como Pipa ou Caraiva.

As vilas são pitorescas e valem uma visita. Tatuamunha tem casarões centenários preservados. Porto da Rua tem barquinhos de pescadores sempre estacionados na orla e bons restaurantes regionais à beira-mar, como o Enildo. Como vida noturna, porém, você tem apenas o Luna Bar, em Porto da Rua, e festas voltadas para os moradores.

Isso significa que não vale a pena ir sem companhia? Se as intenções forem namoradeiras, o destino só compensa na virada do ano, quando ocorre o Réveillon dos Milagres (compre as festas em tjtamojunto.com.br).

Mas se a ideia for pegar uma pousada pé na areia, recarregar as baterias e curtir praias desertas e de águas mornas, leve livros e um iPod e você não se arrependerá. Uma das características das pousadas da região é o atendimento caloroso: o staff aprende o seu nome na chegada e zela o tempo todo por sua satisfação.

O footing aqui será de dia: aproveite a maré baixa para caminhar na praia. Na maré alta, entre no mar – é quando estará mais gostoso. Agende passeios de jangada para as piscinas naturais e para ver peixes-bois no Rio Tatuamunha. Com sol baixo, pegue uma bicicleta na pousada e pedale ao vilarejo mais próximo. Quando sentir falta de ondas, marque um passeio à praia dos Morros, com acesso apenas por barco, atravessando o Rio Camaragibe.

Vai por mim: você não vai sentir falta de um centrinho, não. / RICARDO FREIRE

(Envie sua pergunta para viagem.estado@estadao.com)