Se for dirigir, não deixe de fotografar
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Se for dirigir, não deixe de fotografar

Adriana Moreira

10 Dezembro 2013 | 04h00

Pare quantas vezes achar necessário: nessas cinco rodovias mundo afora, o prazer de viajar se potencializa a cada curva, revelando uma sequência de surpresas e belos visuais

Felipe Mortara

Entre os deliciosos prazeres de dirigir, certamente um dos maiores é percorrer estradas que atravessam paisagens de tirar o fôlego. Não raro, esses belíssimos cenários são à beira-mar, subindo e descendo por curvas e encostas fotogênicas. E frequentemente demandam atenção extra do motorista para não esquecer de fazer a curva, tamanha beleza do outro lado do para-brisa. Não hesite em parar no acostamento para fazer a foto.

Quando a ideia é viajar junto ao mar, muitas rotas pelo mundo oferecem curvas e ângulos inusitados. A maior parte dos países sequer exige carteira de motorista internacional, bastando a nacional e o passaporte para poder alugar um carro.
Seja à beira do Pacífico, pelo asfalto lisinho da Califórnia, mirando o Mediterrâneo ou nas colinas da Côte d’Azur, o que não faltam são vias de cair o queixo. Isso sem falar nos mais de 8 mil quilômetros da costa brasileira, que guardam joias como a histórica Rio-Santos. Bote o cinto de segurança e vá em frente.


 

Panorâmica da Praia das Toninhas, em Ubatuba, a partir da Rio-Santos – Foto: Lucas Frasão/Estadão

NOSSA QUERIDINHARio-Santos, para encher os olhos

Mata Atlântica, serras e praias para todo tipo de banhista fazem dos cerca de 500 quilômetros da Rio-Santos uma das mais belas e queridas estradas do Brasil. Saindo de São Paulo, após a descida da Serra do Mar, vire à esquerda rumo ao norte pela famosa BR-101.

O Forte de São João (13-3317- 4128) foi erguido em 1531 em Bertioga e proporciona uma bela vista da ilha – sim, é uma ilha – do Guarujá. Alguns quilômetros após entrar nos limites de São Sebastião, a discreta Barra do Una reúne rio e mar para um banho inesquecível. De lá saem passeios para a Ilha do Montão de Trigo, ponto de mergulho e snorkeling. Ali é encontrada a pescada bicuda, peixe que a chef Maria Fernanda Fuhrhausser prepara com esmero (R$ 85, duas pessoas) no Restaurante Canoa (canoa.com.br).

A divisa entre Juqueí e a Praia Preta talvez seja o ponto mais perigoso da rota. Isso porque o motorista deve se segurar para não congelar os olhos sobre As Ilhas, arquipélago desbundante perto da costa. Tocando em frente, Camburi tem ótimas ondas para o surfe e clima mais hippie. Já Maresias conquista os baladeiros de plantão. Entre as duas, a Praia Brava se esconde como um tesouro, depois de uma trilha de 2 horas a pé desde Boiçucanga. Sossego garantido.

Bonete, Praia da Fortaleza, Toninhas e Domingas Dias fazem do sul de Ubatuba outra ótima parada. Mais ao norte, Itamambuca e Félix têm boas ondas para o surfe, assim como a Praia do Cepilho, já no Estado do Rio. A Praia do Meio, em Trindade (distrito de Paraty), é uma joia – ainda mais quando vista do Cachadaço, a 10 minutos de trilha.

Paraty dispensa apresentações. Seu casario rende fotos a qualquer hora e há boas opções gastronômicas. Antes da capital fluminense, reserve espaço para Angra dos Reis e, com um pouco mais de folga, ainda há a linda Ilha Grande.

Overseas Highway, na Flórida – Foto: Andy Newman/Reuters

MAR ADENTRO, LITERALMENTEPontes e água por todos os lados na Flórida

“A estrada que vai para o mar”, assim é conhecida a Overseas Highway, que percorre 180 quilômetros no sul do Estado da Flórida, ligando o continente até a ilha de Key West. Contudo, bem que poderia ser chamada de “a estrada que avança sobre o mar”, já que é essencialmente formada por pontes sobre o oceano – são 42 delas.

A rota segue a de uma antiga estrada de ferro de 1912 e é considerada uma das maiores obras de engenharia do planeta. Partindo de Miami, a primeira parada pode ser no Everglades Aligator Farm (everglades.com), na região famosa por seus crocodilos imensos. O caminho atravessa longos e intrigantes trechos de pântanos até chegar ao belo mar azul.
Key Largo é uma cidade que recebe os visitantes com ótimas praias e incríveis mergulhos. No John Pennekamp Coral Reef State Park (pennekamppark.com) basta colocar máscara e snorkel para se esbaldar em um naufrágio repleto de corais a 30 metros da areia. Se a fome bater, defenda-se com os hambúrgueres e peixes frescos do Hobo’s Cafe (hoboscafe.net).

Com golfinhos, praias com farta estrutura de acomodações e bons restaurantes, o Hawks Cay (hawkscay.com) pode ser uma boa base para curtir as Keys por alguns dias. Além de ponto final da Overseas Highway, Key West concentra – sem dúvida – outros grandes atrativos das ilhas. Não perca o enorme e imponente Fort Zachary Taylor (floridastateparks.org/forttaylor), construído em 1845 como ponto de defesa durante a Guerra Civil. Muitas galerias de arte se espalham pela cidade. A casa onde o escritor Ernest Hemingway (hemingwayhome.com) viveu com seus vários gatos fica aberta todos os dias do ano para os visitantes. E os bichanos continuam por lá.

Villefranche-sur-Mer, na Riviera Francesa – Foto: Eric Gaillard/Reuters

GLAMOURMônaco-Cannes, pelo Mediterrâneo

Curvas, charme e glamour estão no caminho de quem margeia o Mar Mediterrâneo pelos 70 quilômetros que ligam o Principado de Mônaco ao balneário de Cannes. A primeira parada é na tranquila Villefranche-sur-Mer, que convida a uma esticada até a península de St.-Jean-Cap-Ferrat. Visite os jardins do palácio da baronesa Béatrice de Rotschild, a Villa Ephrussi (villa-ephrussi.com).

A chegada a Nice passa pelo porto e seus iates descomunais. Boa parada para o almoço – o restaurante L’Amiral (lamiral-restaurant06.com), em Antibes, tem menus de 23 euros a 37 euros (R$ 74 a R$ 119). Nada mal fazer a digestão caminhando pelo calçadão de la Croisette, em Cannes. Tudo ali lembra o cobiçado Festival de Cinema. Procure pelas marcas das mãos e assinaturas em uma parede pertinho do local onde ocorrem as projeções. Se sobrar tempo e disposição, a não menos famosa Saint-Tropez fica a mais uma hora de volante.

Os Doze Apóstolos, na Great Ocean Road – Foto: Adriana Moreira/Estadão

TRAVESSIA AUSTRALIANAAventura (e cangurus) na Great Ocean Road

Asfalto lisinho, placas alertando sobre o risco de cangurus cruzarem a pista e cenários deslumbrantes. A Great Ocean Road, no sul da Austrália, é o único caminho para uma das maiores atrações do país: os Doze Apóstolos, conjunto de grandes formações rochosas costeiras espalhadas por um longo trecho de litoral.

Para percorrê-la, geralmente parte-se de Geelong, a 66 quilômetros de Melbourne, e roda-se 400 quilômetros até Portland. Siga com calma e programe paradas estratégicas. Polo efervescente da indústria de surfe australiana, Torquay reúne outlets de marcas famosas de surfe wear, como Billabong e Quiksilver. Boa oportunidade para comprar uma prancha ou roupa de borracha novas – são incontáveis no trajeto os pontos com ondas perfeitas, como Bells Beach e Winkipop.

Ao longo de vários trechos há trilhas demarcadas para caminhadas. No site tinyurl.com/australiacaminhada você encontra uma série de trajetos. Para emoções mais intensas, outra alternativa é o Otway Fly (otwayfly.com), parque onde o canopy é a principal atração. Trata-se de uma tirolesa contínua, entre eucaliptos de mais de 30 metros de altura, com 2h30 de emoção. Não é a sua? Uma breve caminha entre passarelas oferece visual similar com menos frio na barriga.

Surfistas no trecho de Malibu da Highway 1 – Foto: Ann Summa/NYT

A FAVORITA DE HOLLYWOODCurtindo a liberdade na Highway 1

Imortalizada em filmes e desejada por viajantes afim de desfrutar do mais puro estilo californiano de levar a vida, a Pacific Coast Highway – a famosa Highway 1 – desliza por mais de mil quilômetros às bordas de um cobiçado litoral. A estrada combina idílicos cenários a cidadezinhas com clima hippie e aura surfista.

Saindo de São Francisco rumo a Los Angeles, a rota chega a Santa Cruz em meio dia de percurso e continua no sentido sul, passando por Monterey e Carmel, e adentrando a arborizada região de Big Sur. Na estrada, plantações de alcachofras na Castroville dividem a atenção com as impressionantes vistas para o mar nos arredores de Big Sur – com casas à beira do penhasco. A costa também é tomada de sequoias, enquanto as Montanhas de Santa Lucia mergulham no mar.

No Pfeiffer Big Sur State Park, o Rio Big Sur percorre 390 hectares de sequoias, plátanos e samambaias. Alguns quilômetros à frente, a Sycamore Canyon Road leva às areias brancas da Pfeiffer Beach. O parque se estende da costa até cumes de quase 1.000 metros.

Uma vista panorâmica do oceano e de quilômetros de costa rochosa está disponível a partir de altitudes mais elevadas ao longo das trilhas no lado leste da Highway 1.

Penúltima parada antes do centro de Los Angeles, Santa Monica tem não só o píer mais famoso da Califórnia, mas também shows, exposições e uma vasta agenda cultural que fazem parte desse emblemático pontão (programação em santamonicapier.org). Dali para a famosa Venice Beach são cerca de oito quilômetros à beira da praia, num dos trechos mais descolados do pedaço.