Sexo no avião
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Sexo no avião

Fabio Vendrame

13 Maio 2014 | 02h40

Ilustração: Carlinhos Müller

Repercutiu muito nas redes sociais a notícia de que uma moça foi apanhada fazendo sexo no banheiro de um avião da Virgin Airways com um passageiro que ela havia acabado de conhecer. A passageira foi descoberta porque o frenesi ruidoso do casal invadiu a cabine e, como sempre, houve alguém que denunciasse o fato. Diversas mensagens sobre o assunto entupiram a caixa postal de nosso solerte viajante britânico. Mr. Miles escolheu uma para representar todas elas:

O senhor já praticou sexo dentro de alguma aeronave? E o que acha desse comportamento? (Sonia Carvalho Freitas, por e-mail)

Well, my dear: você sabe que eu tenho o maior fairplay possível. Mas confesso que não sou deselegante a ponto de contar as façanhas sexuais que tive a bordo de qualquer tipo de meio de transporte, até porque elas sempre envolveram parceiras respeitáveis que, of course, não gostariam de ler indiscrições de um velho viajante. Do you know what I mean?


Ponha-se no meu lugar, darling, e suponha que um conhecido fizesse pergunta semelhante durante um evento social qualquer (não valem esses disgusting chás de noiva, de bebês, de fraldas e tantas outras festinhas que surgiram para deslustrar os verdadeiros encontros).

No tempo de minha querida tia Henriette, ela responderia com um ‘oh!’ ofendido e deixaria o recinto. Já tia Gwineth, de origem menos nobre, certamente acertaria uma sonora bofetada no inconveniente interlocutor.

Creio, dear Sonia, que – mesmo que tivesse praticado sexo na fila 32 da classe econômica em algum lugar do passado –, você não daria a conjugação carnal a conhecimento público. Am I right?

Sexo em trânsito, sobretudo em aviões, é, segundo meu querido e saudoso psiquiatra Nelson Montag, um dos fetiches mais populares. Imagine-se sentado ao lado de uma pessoa desconhecida e atraente. Imagine, as well, que você sente um pouco de medo de voar e o estranho ao seu lado lhe ofereça o conforto necessário até o avião atingir a altitude de cruzeiro. Imagine que o voo seja longo – onze, doze horas – e que, para acalmar, você e seu novo conhecido tomem alguns drinques antes do jantar, alguns licores depois e continuem conversando quando a luz da cabine se apaga, conferindo uma inesperada intimidade ao ambiente. Siga imaginando: a poltrona ao lado de seu novo amigo está vazia. Do outro lado do corredor, um casal idoso já vestiu as máscaras de dormir e cobriu-se para proteger do frio.

Suddenly, você percebe que aquela fantasia alimentada desde os tempos de Sylvia (N. da R.: Sylvia Kristel, atriz de ‘Emanuelle’, um clássico do sexo aeronáutico) pode mesmo ser realizada. Que, milhares de metros abaixo do avião, existe algum país desconhecido. Que, of course, a tripulação já foi dormir e não está disposta a aparecer na cabine. Que, por fim, o seu vizinho de poltrona, faça-lhe uma carícia sugestiva nas mãos ou… wherever.

A pergunta que lhe devolvo, darling, é simples: por que se arriscar a ir até o banheiro do avião? Por que não fazer de tudo um sonho ensandecido e, ao chegar ao destino, nunca mais reencontrar o vizinho, que – como você – tem outra vida, outros planos e outras viagens?

Well, acho que me expliquei. E agora vou tomar um scotch.”

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS