Só nas ‘quebradas’
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Só nas ‘quebradas’

Mônica Nóbrega

04 Março 2014 | 05h20

Sucessivas eras geológicas esculpiram montanhas e vales em muitos tons, que desfilam a cada curva da província de Salta tirando o fôlego dos visitantes

Quebrada de las Conchas: a paisagem em Salta é mesmo tudo isso. Fotos Rodrigo Burgarelli/Estadão

Rodrigo Burgarelli / SALTA

Salta é desses locais tão únicos que é difícil acreditar que não esteja só na imaginação. Essa região no noroeste argentino reúne dois mundos estranhamente próximos: o altiplano andino e os pampas gaúchos. Ou seja, não se assuste se, no mesmo dia, encontrar um vaqueiro branco tomando chimarrão e, logo depois, uma índia vestindo roupa de lã de alpaca mascando folhas de coca. Tudo emoldurado em paisagens de montanhas coloridas em tons impensáveis, vastas planícies cobertas de sal e vinícolas espalhadas em pleno deserto. Não é à toa que ficou conhecida como “La Linda”.


Para desbravar a região, a melhor base é a própria cidade de Salta, capital da província de mesmo nome, que tem pouco mais de 1 milhão de habitantes e aeroporto próprio. De lá, é possível contratar tours para as principais atrações turísticas (várias delas estão na província vizinha, Jujuy) ou mesmo para conhecer as vinícolas que produzem o ótimo vinho de altitude típico do pedaço.

Fundada por espanhóis, a cidade de Salta tem centro histórico de feições coloniais

Fundada pelos espanhóis em 1582 para servir de escala na rota entre Lima, no Peru, e Buenos Aires, Salta tem sua beleza, mas basta um dia para conhecer seus principais atrativos. Na Plaza 9 de Julio ficam a catedral e o cabildo colonial do século 18, e a Basílica de São Francisco.

Do Parque San Martín parte o teleférico que leva turistas ao topo da montanha de São Bernardo. São dez minutos para subir – lá em cima, a quase 1.500 metros de altitude, o tempo parece parar enquanto se avista a panorâmica da cidade e seus arredores. Custa 35 pesos (R$ 10) para subir ou descer. Mais: telefericosanbernardo.com.

Caminho em cores. O melhor mesmo, no entanto, está a alguns quilômetros dali. Os principais passeios da região são pelas chamadas quebradas, espécies de cânions, sempre acompanhados de cadeias de montanhas. As duas principais – a de las Conchas e a Humahuaca – podem ser percorridas de carro (é possível alugar um na cidade) ou em tours guiados.

Essas quebradas guardam os principais cartões-postais da região: montanhas coloridas nos mais variados formatos. Elas separam os pampas gaúchos, onde está a cidade de Salta, a cerca de 1.200 metros de altitude, do altiplano andino (chamado de La Puna), acima dos 4 mil metros.

A visita ao altiplano pode ser feita tanto no Tren a las Nubes (ou trem das nuvens, em português, que ganhou esse nome justamente por causa da altitude) quanto de carro, pela Quebrada del Toro. É lá que se encontram as Salinas Grandes, um salar de 212 quilômetros quadrados de extensão, e as cidades mais indígenas da região, como San Antonio de Los Cobres. Num primeiro olhar, elas se parecem muito mais povoados bolivianos do que argentinos. E dá-lhe folha de coca para diminuir os efeitos da altitude.

Para deixar a viagem completa, falta apenas uma coisa: vinho. A região é famosa por produzir excelentes rótulos, com destaque para a uva torrontés. A produção vinícola ocorre nos Vales Calchaquíes, também próximos da cidade de Salta. A maior parte das bodegas está nas imediações de Cafayate, onde também é possível pernoitar caso se queira conhecer a fundo a produção local.

Veja mais fotos da região de Salta.

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Passagem aérea: São Paulo – Salta – São Paulo: desde R$ 1.158,02 na Aerolineas (aerolineas.com.ar) e R$ 1.318,13 na LAN (lan.com). Voos com conexão

Trem: o Tren a Las Nubes parte de Salta e percorre 434 quilômetros (ida e volta) até o Viaduto La Polvorilla,
a 4.220 metros de altitude. Desde 950 pesos (R$ 282); trenalasnubes.com.ar

Moeda: R$ 1 equivale a 3,35 pesos argentinos (ARS). Atenção ao fazer seu câmbio ou na troca de notas altas: casos de dinheiro falso são comuns em Buenos Aires

Melhor época: os meses de janeiro e fevereiro costumam ser mais chuvosos; no resto do ano, a temperatura média fica em torno de 15 graus