Todos os mais deliciosos clichês
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Todos os mais deliciosos clichês

Fabio Vendrame

25 Março 2014 | 03h20

Distante 1h20 de Zurique, a ‘longínqua’ Appenzell desfila a imagem que se espera do povo alpino: de vaca com sino no pescoço a queijo, de instrumento musical folclórico a avental e suspensório

Fotos: Felipe Mortara/Estadão

APPENZELL

“Aqui é como se fosse o Acre da Suíça”, disse um brasileiro que vive há 12 anos no país, em uma comparação algo desproporcional com o Estado do Norte brasileiro. Como pode um lugar ter fama de longínquo se está a 1h20 de trem de Zurique? Bem, o cantão de Appenzell, e a capital homônima, estão longe é da realidade. Tudo aqui é como o nosso mais raso clichê suíço concebeu.


Pensou em vaquinhas? Acertou. Há 15,5 mil para uma população de 16 mil pessoas – quase uma mimosa per capita. Montanhas boas para caminhar? Acertou de novo. São 700 quilômetros de trilhas. Também veio à cabeça a imagem de um agricultor com roupa típica, de suspensório e chapéu? Ok, existem, mas eles só vestem essas roupas em datas especiais.

Nos sábados de setembro, por exemplo, com a chegada do outono, vaqueiros trazem seus rebanhos do alto da montanha de volta para casa – é o Alpabzug, descida dos Alpes. Sinos enormes são amarrados ao pescoço das vacas. Os homens vestem colete vermelho, uma justa calça amarela, com meia branca por cima e, sob chapéus pretos de feltro, usam enormes brincos em forma de colher na orelha direita.

Receita secreta. Albert, Werner e Alfred são três velhinhos vestidos tipicamente que estampam não só a atual campanha de turismo da Suíça, sob o slogan Tradições Vivas, como as embalagens do queijo Appenzeller e de boa parte dos produtos da região. De sabor forte e textura que lembra a do parmesão, é produzido com receita secreta. Já a bebida de mesmo nome surge de um concentrado de 42 plantas e ervas alpinas. O resultado é um bitter que remete ao Jägermeister, porém mais suave e aromático.

Então, que tal subir as montanhas e ver de perto as plantas alpinas? Apenas 10 minutos de carro separam Appenzell do Hoher Kasten, onde um bondinho, em 10 minutos, leva de 800 a 1.794 metros de altitude. Dizem que a vista é fascinante. Quando subi, uma teimosa camada de nuvens fechava o horizonte. O giratório Drehrestaurant serve uma boa salada de queijo Appenzeller por (15,90 francos ou R$ 42,40).

Assistir a apresentações folclóricas pode ser um bom programa. No Hotel Hof Waissbad (diárias desde 220 francos, ou R$ 586), às quartas-feiras músicos da região fazem coros de yodelling – canto com tons agudos. Já a Berggasthaus Ebenalp oferece a chance de descobrir o som de instrumentos como o hammer dulcimer, um delicado címbalo de 157 cordas, tocado com um pequeno martelinho de madeira. / FELIPE MORTARA

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