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Um baile no Oriente Médio

Tania Valeria Gomes

14 Janeiro 2009 | 16h40

Teimoso, nosso grande viajante não apareceu mesmo aqui na redação, frustrando alguns de seus admiradores. Em mensagem enviada logo após a passagem do ano, mr. Miles garante, entretanto, que continua no Brasil. Diz que apreciou sua estada na ilha de Santa Catarina mas que, ” in fact, choveu copiosamente, o que, aliás fez com que eu me sentisse em casa. By the way, os fenômenos meteorológicos advindos da velha irresponsabilidade humana têm dado um ar britânico inequívoco a esse belo estado brasileiro. Falta, apenas, que se desenvolva uma certa fleugma para aceitar o inevitável, que, in my opinion, pouco ou nada compromete a beleza das praias da ilha. De minha parte, fui ao mar todos os dias e sequer precisei usar os pesados sweaters que precisava envergar quando veraneava em Brighton.”
Alguns leitores da coluna, em férias no litoral sul do Rio de Janeiro, julgam ter visto nosso correspondente remando, solitário, na baia de Paraty nos primeiros dias de 2009. Não foi possível confirmar a informação, mas é fato que mr. Miles nutre grande afeição por Amyr Klink, por sua esposa Marina e pelas três lindas filhas do casal. Consta, inclusive, que o viajante britânico é o padrinho inglês de Nina, a mais jovem delas. Não seria de estranhar, portanto, que nosso correspondente tivesse aproveitado essa rara viagem ao Brasil para, como diz, “abater” algumas garrafas de Underberg ao lado do navegador brasileiro, conversando, alternadamente, sobre pinguins-imperadores, Schackleton (com quem mr. Miles passou um perrengue no Endurance, tempos atrás) e o extinto Jardim Escola São Paulo, na avenida Paulista — onde Amyr e um amigo comum de ambos, o também viajante Ronny Hein, tiveram os primeiros contatos com o prazer do aprendizado constante.
Tudo isso, entretanto, são especulações. As perguntas recorrentes desta semana versam sobre a questão palestina. Abaixo, uma delas:

Mr. Miles: existe solução para esse terrível confronto no Oriente Médio que acompanho desde que me entendo por gente?
José Mário Capodimano, por email

Well, my friend: até a estupidez tem um limite; custo a crer que, descontrolada, ela possa avançar pelo espaço sideral, de modo a um dia ser medida em milhões de anos-luz. Don’t you agree? Há de chegar o dia em que, de parte a parte, os envolvidos perceberão que é muito mais agradável beber e namorar às margens tépidas do Mediterrâneo do que passar os dias visitando cemitérios ou erguendo cadáveres para a exploração da opinião pública.
Há de chegar a hora, fellow, em que até os mais cegos desejarão ver as estrelas que retinem no céu sem umidade daquela terra árida ao invés de prescrutá-lo em busca de foguetes e bombas.
Não posso, unfortunately, fornecer-lhe uma data precisa para esse desfecho. Mas tenho muitos amigos de ambos os lados que já se deram conta disso. And you know what? Todos eles têm, em seus armários, a roupa para ser usada na grande festa do entendimento. Que será solene, emocionada e, of course, terminará no mais lindo dos bailes.