Um ponto colorido no meio de Lisieux
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Um ponto colorido no meio de Lisieux

Mônica Nóbrega

02 Setembro 2010 | 00h35

Atrás da fachada de tijolinhos da mansão construída nos idos da 2ª Guerra Mundial, os 17 quartos do Hotel Saint Louis reservam uma sequência de surpresas. Por dentro, o pequeno duas-estrelas (não se prenda à classificação) é a coisa mais colorida que pode ser encontrada em todo o centro histórico de Lisieux, cidade francesa que deve sua existência turística ao roteiro religioso baseado em vida e obra da católica Santa Terezinha.

A fachada do Hotel Saint Louis, em Lisieux

A fachada do Hotel Saint Louis, em Lisieux


Não há cor, padrão de tecido ou textura que se repita na extravagante decoração. No meu quarto, poltronas, almofadas, lençóis e edredon eram quadriculados de branco e vermelho. E a cama tinha um dossel, aquela armação para cortinas – sabe cama de princesa? – também ao estilo toalha de piquenique. Um cenário entre divertido e bizarro.

Quadriculado nas estampas, desde a roupa de cama...

Quadriculado nas estampas, desde a roupa de cama...

... até a poltrona e cortinas. Fotos Mônica Nóbrega/AE

... até a poltrona e cortinas. Fotos Mônica Nóbrega/AE

Em outro quarto, adesivos formavam desenhos nas paredes azuis-celeste, combinadas com roupa de cama verde-limão. E juro que escutei, em algum canto do andar, um grito entre surpreso e desesperado: “Eu é que não vou dormir em um lençol preto!”

Tanta, digamos, criatividade é mérito da proprietária, a ex-modelo Sophie Ferron. Ela comprou o hotel há menos de dois anos e reformou tudo aos poucos. Cores inesperadas à parte, o que se pode afirmar é que Sophie consegue proporcionar aos hóspedes uma estada muito confortável (além de inevitáveis gargalhadas) por diárias bastante econômicas  – de 30 euros, sem banheiro, a 61 euros, com ducha e vista para o jardim. Os quartos são grandes e a cama, ao menos aquela na qual dormi, é ótima. O café da manhã, apesar de simples (pães, croissants, suco, geleia, queijo, café e leite) é fresco e saboroso. A rua, calma, sem barulho.

A própria Sophie cuida de todo o atendimento. Carrega bandejas pelo salão de chá, dá sugestões turísticas, preenche fichas de check-in na recepção. E ali mesmo, entre paredes rosa-choque e cortinas de cabaré, explica sua proposta: “Queria um lugar divertido e surpreendente, mas que fosse confortável.”

Sem dúvida, ela conseguiu.