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Um roteiro europeu

Tania Valeria Gomes

22 Abril 2009 | 23h19

De volta à Inglaterra, nosso indiscutível viajante surpreendeu-se com a quantidade de comentários sobre a coluna que escreveu sobre o nome dos países, na qual comprovava que o Perú e a Turquia, por vias tortuosas, eram países homônimos. Mas eis que o leitor Carlos Pacheco, de São Paulo, acrescenta um novo elemento a esse enigma. Segundo ele, no idioma hebraico, a palavra “hodu” serve tanto para designar a Índia como, também, para batizar a célebre ave que é muito apreciada na ceia de Natal. Em outras palavras: há um terceiro país quem também significa Peru, estabelecendo, definitivamente, a supremacia dos meleagridideos no universo da nomenclatura das nações.
Intrigado, Carlos Pacheco quer saber de nosso correspondente de onde, afinal, provém, a mencionada ave.
Se da Turquia, da Índia ou do Peru? Mr. Miles, divertido com a polêmica esclarece: “Well, my friend: sinto desapontá-lo, mas o legítimo peru está fora dessas questões semânticas. Ele é originário, segundo consta, da América do Norte, lugar onde adoram devorá-lo no Dia de Ação de Graças.”
A seguir, a pergunta da semana:

Acompanho sua coluna e me sinto compartilhando suas viagens maravilhosas e colecionando seus conselhos de maior viajante do mundo! Minha família está programando para o próximo mês de julho uma viagem para a Europa. Gostaríamos de conhecer a Alemanha, passar por Praga e finalizar na costa da Croácia, mais precisamente em Dubrovnik. O senhor acha viável esse itinerário?
Teresinha de Lisieux Franco Miranda

Well, my dear Teresinha, não existe itinerário inviável: existem viajantes incapazes. O roteiro a que sua família se propõe é absolutamente factível. Um toque de Alemanha — sugiro, enfaticamente, que Dresden não fique de fora, agora que está completamente recuperada — , a sustentabilíssima beleza de Praga e, em um outro universo, a beleza confinada de Dubrovnik. Confinada, I must say, porque a “pérola do Adriático” é, in fact, apenas a interminável beleza contida no interior de suas muralhas, uma espécie de museu vivo das rotas venezianas, da cobiça bizantina e da resistência local.
Trata-se, darling, de território confinado — sujeito, portanto, à exploração obrigatória. It doesn’t matter quantas lojas modernas você encontrará encravadas nesse torrão do passado. A essência, as you will see permanece intacta. Como, as well, em Praga ou em Dresden, esta última cidade completamente reerguida em quinze ou vinte anos, seguindo, however, seu projeto original.
Não deixe, entretanto, de preocupar-se com a logística de suas férias. Carros alugados na Alemanha dificilmente podem ser devolvidos em Praga sem sobretaxas caríssimas. Vôos entre Praga e Dubrovnik devem, seguramente, incluir escalas em Zagreb, com a exiguidade de frequencias de praxe.
Be careful, my dear. Oriente-se com um agente de viagens confiável para que seus destinos adquiram a compatibilidade necessária. Mas não deixe de ir: houve um tempo — e nem tão longínquo —, que transitar entre a Alemanha, a República Tcheca e a Croácia era tarefa para grupos de paraquedistas armados ou comandos de elite. Hoje, thank God, as fronteiras estão abertas, como se espera de um mundo que precisa de nações para cuidar de suas partes, mas, indeed, pertence a todos nós.