As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Uma segunda chance

Tania Valeria Gomes

18 Novembro 2008 | 17h11

A estréia do blog de Mr. Miles (http://blog.estadao.com.br/blog/miles/) foi uma surpresa para muitos leitores deste caderno, que se sentiram “como que atraiçoados por perder a exclusividade de seus comentários”, (nas palavras de Marcia Bittencourt) ou acharam “que a sua adesão a transitoriedade da tecnologia barata é um duro golpe na própria permanência de suas ilações”), na visão de Hermínio Sotero Britto.
Nosso incansável viajante aceita as críticas, mas confessa que é como se nada tivesse mudado. “Vejam bem, fellows: já fui obrigado a aderir ao laptop, porque está cada vez mais difícil encontrar bons cadernos de capa dura e sólidos vidros de tinta como os que usava no passado. Na última vez em que trouxe folhas de papel carbono na bagagem, os policiais do aeroporto tiveram de chamar engenheiros químicos para confirmar de que não se tratava de algum tipo de explosivo químico. Ou seja, as coisas alteram-se despite of me.
Não sinto, porém, que mude a minha maneira de observar o mundo, esse mundo esplêndido que se transforma a cada estação e que, as you know, considero propriedade inalienável de todos, exceto os que não se aventurem a buscar o que é seu. Por isso, agora também tenho meu blog. Como os sapos que inundavam a minha infância no Condado de Essex, posso sair por aí coaxando: blog, blog, blog. Isn’t it amazing?”
A seguir, a pergunta da semana:

Querido Mr. Miles: voltei recentemente de Praga, Budapeste e Cracóvia. As cidades são lindas. Mas onde foi que arrumaram gente tão antipática?
Maria Amélia Mello Suarez, por email

Oh, my dear: sinto muitíssimo por sua experiência desagradável. Mas há algo que gostaria de lhe dizer com o coração aberto. A antipatia e a descortesia não são traços nacionais — são caracteristicas, unfortunately, humanas. Você gosta de italianos? Pois believe me, darling: um italiano antipático pode ser mais desagradável do que um grego antipático, um chinês antipático ou, até mesmo, I presume, um inglês descortês.
Sempre me incomoda muito quando se atribui a uma única nacionalidade um traço definitivo de comportamento.
Essa, by the way, é a origem de piadas engraçadas, discussões acoloradas e, last, but not least, preconceitos incorrigíveis. Eu também já estive, several times, nas três lindas cidades que você teve a oportunidade de visitar. Também encontrei com pessoas infelizes que não gostam do que fazem — e transmitem essa amargura aos que servem. Mas, via de regra, encontrei, as well, cidadãos amáveis e sensíveis que, é claro, ajudaram-me a ver suas cidades com olhos mais carinhosos. A única sugestão que posso lhe fazer, dear Mary, é que volte as soon as possible, para desfazer a má impressão que lhe ficou. Como alguém que tenha caído de um cavalo, precisa rapidamente enfrentá-lo de novo, sob o risco de abandonar o prazer de equitar-se.
Assim como os destinos, os viajantes sempre merecem uma segunda chance. Para que uma linda experiência (três, no seu caso) não termine se tornando apenas um harsh commentary.