Uruguai: Clima ‘hype’ em cenários agrestes
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Uruguai: Clima ‘hype’ em cenários agrestes

Fabio Vendrame

06 Maio 2014 | 03h00

 

Compartilhando um mate nas areias de Valizas – Fotos: Juliana Bertolucci/Divulgação

Sete quilômetros separam a descomplicada Barra de Valizas da selvagem, mas elitizada Cabo Polônio. Ambas servem como base para se deliciar pela costa do departamento de Rocha

BARRA DE VALIZAS


Uma fica ao lado da outra, separadas por dunas, em um percurso de 7 quilômetros que podem ser percorridos a pé em 2 horas, sobre as montanhas de areia, ou beirando o mar. As vizinhas Barra de Valizas e Cabo Polônio, no Departamento de Rocha, no Uruguai, são agrestes e cheias de personalidade.

Caminhar, no entanto, não é a única maneira de se locomover entre uma e outra. De Valizas, é possível ir de ônibus até a entrada de Cabo Polônio e seguir no caminhão 4×4 que leva os visitantes até o vilarejo (170 pesos ou R$ 16, ida e volta). Carros são proibidos, não há eletricidade, iluminação, ruas. Polônio é uma vila oceânica autossustentável, um pedacinho do paraíso para quem quer fugir do caos da metrópole.

Apesar da paisagem entre Cabo Polônio e Valizas ser quase a mesma, Polônio é mais selvagem. O povoado, contudo, deixou de ser hippie para se tornar hype. Os primeiros habitantes que chegaram à vila construíram suas casas de forma totalmente irregular, sem considerar ruas, quarteirões e divisões de terra. Hoje, o que se vê é um local elitizado, principalmente na área onde ficam as casas mais novas. Os preços estão inflacionados e as duas únicas pousadas com alguma estrutura são mais caras que hotéis de luxo em Montevidéu.

Com 400 habitantes, Valizas é um povoado simples, com predominância de jovens casais que criam seus filhos pequenos e cachorros em meio à natureza e no contato direto com a terra e a água. Essa pureza recarrega as energias de qualquer visitante. O mar é agitado e, no fim da tarde, o vento sopra com força.

A rua principal é a Aladino Veiga, e o movimento se concentra na plazoleta do balneário. Mas já adianto: se não gosta de festa, barulho e agito, essa não é a sua praia. Vá para Aguas Dulces, a poucos quilômetros dali, com clima bem familiar.
Preferi me hospedar em Valizas e ir a Cabo Polônio de caminhão para observar os leões-marinhos que se banham nas pedras, ao lado dos turistas. Além, claro, de curtir a paisagem e visitar lojinhas.

Casas à beira-mar em Cabo Polônio

Um alerta: tanto Valizas como Cabo Polônio sofrem o ano todo com tormentas que podem deixar os vilarejos incomunicáveis. Desci na rodoviária – uma salinha com um banco e dois ou três ônibus – no momento em que a chuva dera uma trégua. Deu tempo de tomar um banho quente: o temporal recomeçou e foi-se a energia. No dia seguinte, era como se nada tivesse acontecido: o céu estava limpo e o sol, brilhava forte.

Comer

Hipocampo – Valizas tem uma grande comunidade hippie que, além de trabalhar nas feirinhas de artesanato, administra pequenos restaurantes e bares em suas próprias casas. Um exemplo é o Hipocampo (Aladino Veiga, 292), um local aconchegante com comida caseira preparada pelos donos da casa há pelo menos 25 anos. Prefira sempre os peixes, que são frescos; a corvina é das mais populares e saborosas da região.

La Fraterna – Comidas Valiceras – Também na Aladino Veiga, em frente a La Plaza Leopoldino Rosa. Foi lá que comi os dois melhores pratos da costa uruguaia: uma pasta ao molho tailandês com verduras ao wok, molho de soja, camarão, broto de feijão, semente de gergelim tostado e macarrão de arroz (290 pesos ou R$ 27) e uma corvina com salada, purê de batatas e molho de ervas e alho (também a 290 pesos). Criado por sete sócios, estudantes de gastronomia em Montevidéu, o La Fraterna se intitula um restaurante cooperativo, onde todos colaboram. Há um toque de refinamento em todos os pratos, que combinam ingredientes tradicionais (de produtores próximos) com temperos exóticos.

O local funciona também como centro cultural, com bandas ao vivo, filmes e projeções. No inverno, fica fechado – deve reabrir na próxima temporada.

Surfe, esportes na areia e muita descontração em Valizas – Foto: Roberta Della Noce

Praias – Valizas pode ser o seu balneário-satélite – de lá, explore as cidadezinhas próximas no departamento de Rocha. Com 5.300 habitantes e mais estruturada que suas vizinhas, La Paloma fica lotada no verão – há cassino, cinema e lojinhas. La Pedrera ganhou esse nome pela formação rochosa junto ao mar. Ali há apenas duas praias: El Desplayado, frequentada por famílias, e El Barco, preferida por surfistas. De julho a novembro, é possível avistar baleias-francas.

Naufrágios – A existência de vários naufrágios faz dessa região um paraíso para mergulhadores certificados. Na caminhada pela costa, em direção a Cabo Polônio, é possível observar o que sobrou de Don Guillermo, embarcação da marinha norte-americana encalhada nos anos 1950. Cabo Polônio, aliás, teria recebido esse nome por causa do navegante Joseph Polloni, que afundou seu barco ali em 1753. A maior parte das agências especializadas opera desde Punta del Este. / ROBERTA DELLA NOCE, ESPECIAL PARA O ESTADO

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