Uruguai: Colônia do Sacramento relaxa a mente e afaga o coração
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Uruguai: Colônia do Sacramento relaxa a mente e afaga o coração

Fabio Vendrame

06 Maio 2014 | 03h20

A catedral de Colônia do Sacramento – Fotos: Ministério do Turismo do Uruguai

De tão perfeitinha, Colônia do Sacramento parece cenográfica – mas a graça das ruas de pedra, da arquitetura ibérica e dos sabores é real e bem-vinda

COLÔNIA DO SACRAMENTO

Fundada por portugueses, Colônia do Sacramento amargou mais de 90 anos de discórdia entre espanhóis e lusos. Perdida entre as águas doces do Prata e o pampa que se estende até o Rio Grande do Sul, e a apenas 50 quilômetros de Buenos Aires, a cidade foi destruída mais de uma vez e mudou de dono outras tantas, até se tornar território uruguaio.


As ruas de pedras, o ar colonial e os turistas vindos de todo o mundo lembram Paraty. Parece até uma cidade cenográfica, de tão perfeitinha, limpa e acolhedora. No preservado centro histórico, a arquitetura mescla características portuguesas e espanholas e não faltam boas opções de restaurantes e hospedagem – tudo no padrão uruguayan style, simples e de qualidade. Ali, contudo, os preços são bem mais altos que em Montevidéu.

Depois de uma viagem de ônibus de duas horas desde Montevidéu, cheguei à Posada del Angel, reservada pela internet. Piscininha simpática, café da manhã saboroso (mesmo sem muitas opções) e um custo-benefício satisfatório se comparado a outras pousadas da região. Só não espere muito da internet. Mas, convenhamos: quem busca isso em um local com ótima gastronomia e paisagens para descansar a mente e afagar o coração?

Sim, dá para fazer um bate-volta e conhecer os principais pontos da cidade em um só dia. Mas, para contemplar a paisagem bucólica às margens do Rio da Prata e o pôr do sol de várias tonalidades, vale ficar um pouco mais. Passei três noites agradáveis e inesquecíveis nesta terra e ouso dizer que foi o cenário que mais me conquistou.

Comer

Gibellini Ristorante – Esse “cafofo-restaurante” serve massas elaboradas pelo dono, que se autointitula cocinero-autor. Ele não está na rota turística – fica na Rua Ituzaingo, 249 – e tem um visual peculiar, com azulejos brancos (como os de um açougue), quinquilharias e uma vitrola que toca música dos anos 50. O cardápio apresenta poucas opções – os preços começam em R$ 30. Comi uma massa ao molho de ervas (salsa verde) leve e saborosa – um dos meus melhores momentos gastronômicos em Colônia. Constanza, a atendente, é uma simpática e atrapalhada jovem argentina com ar hippie, que nos servia vinho enquanto falava de sua adoração pelo Uruguai. Mas não espere ficar com fome para ir lá: os pratos demoram a sair. Em frente, um carro antigo fica estacionado dia e noite – aparentemente, não roda há décadas.

Lentas Maravillas – Além de doces e salgados deliciosos, o café localizado na Rua Santa Rita, 61, tem um imenso jardim com vista incrível para o Rio da Prata. Só abre depois das 14 horas – o bolo de cenoura com creme branco é maravilhoso, mas o preço assusta: 180 pesos (R$ 17). Você paga pela vista. Não marque bobeira e se intoxique de repelente, disponível sobre as mesas.

As ruas de pedra no centro histórico

Bater pernas

Centro Histórico – As ruínas do Convento de São Francisco, erguido no fim do século 17 e incendiado em 1704, fazem parte do patrimônio histórico nacional. É possível visitar o farol após as 11h nos fins de semana. Dali, dá para seguir para outros pontos-chave: Museu do Azulejo; Portón de Campo (que conserva pedaços de uma antiga muralha); Basílica del Santísimo Sacramento, de construção portuguesa com cúpulas azulejadas; e a Calle de los Suspiros, uma autêntica rua portuguesa que mantém o traçado original. Fica ali o Buen Suspiro, uma mistura de bodega e restaurante com proposta artesanal. Vinhos, queijos, marmeladas, grapas, conservas e alfajores podem ser consumidos no restaurante ou levados para presente. As picadas, porções de queijos que acompanham saborosas tortas, são a especialidade da casa.

Plaza de Toros – Alugar uma bicicleta pode ser uma maneira bacana de chegar à Plaza de Toros, distante 3 quilômetros do centro – há várias lojas do tipo no Puerto Novo. Erguida em 1910, é a única em estilo mourisco-espanhol no Uruguai. Infelizmente, não é possível entrar no local, pois corre risco de desabamento. Vá sem pressa, contemplando as praias de rio do caminho e parando vez ou outra para fotografar.

Centro Cultural Bastión del Carmen – Erguido em 1880, oferece exposições gratuitas, além de promover palestras e encontros. Mas o maior espetáculo que vi foi o pôr do sol, que brilhou imponente e iluminou as águas do rio. Na Rua Rivadavia, 223.

Compras

La Casa Galeria – Localizada na Rua San Pedro, 113, a pequena galeria de arte tem objetos de decoração e quadros pintados pela proprietária, Beatriz Butler, além de brincos e colares personalizados. / ROBERTA DELLA NOCE, ESPECIAL PARA O ESTADO

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