Vai ter Copa sim. É o que dizem os sul-africanos
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Vai ter Copa sim. É o que dizem os sul-africanos

Gabriel Pinheiro

16 Maio 2014 | 10h30

Cores do Brasil na vitrine da Hugo Boss, em um shopping de Joanesburgo

Gabriel Pinheiro / JOANESBURGO

“Uau, Brasil! Copa do Mundo! Você está animado?”. Em 10 dias na África do Sul, essa foi a frase que mais ouvi ao dizer que sou brasileiro. Veio de todos os lados: do carregador de malas do hotel ao dono do safári cinco estrelas. Aqui, a Copa é motivo de orgulho. O legado deixado pelo Mundial de 2010 é visível: os aeroportos são modernos, o turismo continua em crescimento e o transporte público, segundo quem usa, deu um belo salto. Ir de metrô de Sandton, região de Joanesburgo que concentra a maioria dos hotéis internacionais, para o aeroporto, por exemplo, leva menos de 20 minutos. Fiz o teste às 7h, horário de pico em qualquer parte do mundo, e ainda assim a viagem foi confortável. Impossível não comparar com a dificuldade que é sair do Aeroporto de Guarulhos e chegar a São Paulo ou vice-versa.


Propagandas da Fifa estão espalhadas pelas cidades. Cartazes de “We Are Brazil” e publicidade dos patrocinadores, como Coca-Cola e Mc Donald’s, podem ser vistas nos aeroportos, centros comerciais e incontáveis outdoors. A imprensa local também está bem interessada. Nos aviões da South African Airways, principal companhia aérea do país, o Brasil é retratado como a bola da vez na revista distribuída a bordo.

“Mas por que vocês não estão contentes?”, era a pergunta deles, bastante intrigados. “Não é o país do futebol?”, questionou-me uma senhora no mercado indiano de Durban. Bem, vamos lá. Citei as denúncias de corrupção, as obras infraestruturais pela metade, os protestos nas ruas, o descontentamento popular… A lista é longa. Ao ouvir minhas razões, alguns reagiam com espanto, outros com naturalidade. “Ah, mas aqui também teve tudo isso”, respondeu um senhor.

Monika Iuel, diretora internacional de marketing da South African Tourism, órgão oficial de turismo local, espantou-se quando soube que teremos 12 cidades-sede. Disse torcer para que os aeroportos aguentem. Ao comentar a experiência sul-africana durante o Indaba, uma grande feira do turismo regional, ela também se mostrou otimista com a nossa Copa, porém destacou que o fato de não termos feito um “ensaio” para o Mundial é alarmante. “Mas não se preocupe. Vai dar certo. Vocês ficarão orgulhosos”, acrescentou. Que assim seja.

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