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Vida pantaneira

Adriana Moreira

23 Julho 2010 | 13h51

O grupo se levantou a tempo de ver o sol nascendo em um céu limpo e sem nuvens que se manteve ao longo de todo o dia. O motivo que tirou os meninos da Casa Taiguara da cama tão cedo foi um rodeio. Nada de música sertaneja, arquibancada, barracas de comida. Aqui, laçar bois e bezerros faz parte de mais um dia de trabalho.

O ritual é feito semanalmente na época conhecida no Pantanal como Aparição – ou seja reprodução. Nesse período, que vai de maio à outubro, é preciso marcar os bezerros que nasceram durante a semana. Parte do grupo acompanhou os peões a cavalo e o restante seguiu no trator até a área onde o gado estava reunido. Muitos estavam com dó dos animais. “Se eu tiver uma fazenda vou colocar um brinco neles para identificar, que não dói tanto”, dizia Tiago.

Os peões fizeram um fogueira para aquecer o ferro com a marca da fazendo Santa Sophia e começaram a laçar os bezerros um a um. Além dos que precisavam ser marcados, os funcionários trouxeram também os machucados, que tomaram vacinas e remédios. As crianças, então, se empolgaram e quiseram ajudar – não a marcar, mas a dominar os animais. Só uma menina se arriscou, Carol, que contou com a ajudinha dos colegas.O grupo retornou à fazenda para o almoço e depois da digestão foi hora de participar da rotina pantaneira mais uma vez e ajudar a juntar o gado espalhado.

Como preveria a Saracura, com seu canto noturno, o dia seguinte amanheceu nublado. Meninos foram acompanhar a castração dos bois para a engorda – onde meninas não podem participar. Isso porque, segundo a lenda local, quando uma mulher vê o processo, o boi morre.


Enquanto isso, as meninas saíram no jipe de Beatriz Rondon, a dona da fazenda, para conhecer outras áreas. O chacoalhar do carro entre o terreno lamacento arrancou gritinhos e muita risada. Araras azuis, um tuiuiú, garças e até um pica-pau foram o saldo do passeio. Ao final, caras felizes e uma constatação. “Estou aprendendo muita coisa aqui”, diz Carol.

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