‘Zapaturismo’ movimenta Chiapas 20 anos depois
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‘Zapaturismo’ movimenta Chiapas 20 anos depois

Adriana Moreira

13 Janeiro 2014 | 23h40

Fábio Vendrame

“Está usted en territorio zapatista. Aquí manda el pueblo y el gobierno obedece.”

A placa demarca, para quem vai a Chiapas, a entrada em um mundo alternativo. Duas décadas depois de o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) colocar San Cristóbal de las Casas e, por extensão, todo o sul do México de volta ao mapa-múndi, milhares de turistas estrangeiros visitam a região a cada ano.

A maioria dos visitantes hoje em dia é de jovens latino-americanos e europeus, embora cresça a cada ano também o número de asiáticos – uma galera que acredita que um outro mundo é possível. Anos atrás a velha guarda também costumava aparecer. Gabriel García Márquez, Eduardo Galeano, Oliver Stone, Noam Chomsky e os saudosos José Saramago e Danielle Mitterrand foram alguns deles.


Não há, contudo, nenhuma campanha de incentivo ao turismo na região. Ao contrário. O site oficial do órgão de promoção turística do México (visitmexico.com) ignora o destino. O que não impede, talvez até estimule, a consolidação do chamado “zapaturismo” (que até verbete na Wikipédia já tem).

Camisetas e suvenirs inspirados no movimento zapatista – Foto: Claudia Daut/Reuters

Prova disso, a cada temporada surgem novos produtos inspirados nas figuras do subcomandante Marcos e da comandante Ramona – esta já falecida –, dois ícones do Zapatismo. Camisetas, bonecos e chaveiros são vendidos em lojas e nos mercados indígenas de rua. Hotéis, restaurantes e bares, como o Revolución, também exploram o tema.

Há controvérsias sobre se os zapatistas de fato exploram o turismo comercialmente. Em recente comunicado, de dezembro, Marcos toca no assunto com a mordacidade que caracteriza sua escrita: “Há agências com pacotes ‘all-included’ que vêm com um kit de cabrestos para que os visitantes não vejam a miséria e o crime que pululam nas principais cidades”.