Graceland, Graceland…

Graceland, Graceland…

Heitor e Sílvia Reali

16 Março 2017 | 18h53

Mônaco

“…we all will be received in Graceland”, esse refrão da música “Graceland” de Paul Simon segue comigo enquanto sobrevôo o verde esmeralda do Mediterrâneo. A cabine de vidro do moderno helicóptero quase me dá a impressão de que, a qualquer minuto, poderei molhar os pés no mar. É quando subitamente o piloto faz uma curva radical e avisto a montanha onde está incrustado Mônaco, o mais glamoroso principado do mundo.

Mônaco

A palavra graça me sugere um móbile onde posso ‘pendurar’ diferentes sentidos. Dá só uma olhada: graça pode ser um gracejo, um atrativo, um brinde, um perdão, um dom sobrenatural, e uma maneira (um tiquinho fora de moda) de perguntar o nome a alguém.


E, que diferença faz um nome? Em Mônaco fez e faz toda diferença, pois a graça de uma princesa ainda está presente em todos os lugares.

Mônaco

É impossível dizer que Mônaco era um lugarzinho insosso, longe disso! Sempre foi uma das mais descoladas cidades do mundo. Mas, talvez o príncipe Albert, sozinho e acastelado no cocuruto do rochedo, estivesse achando seus dias meio desenxabidos. Foi quando em 1955, Grace Kelly viajou à Riviera Francesa para as filmagens de “Ladrão de Casaca”. O príncipe convidou a bela atriz para um jantar no castelo, e deu liga. O casamento da diva loira de Alfred Hitchcock, vencedora de um Oscar, com o Príncipe Rainier III, foi considerado o casamento do século. Mudou o destino deles e o do lugar.

Mônaco
A elegância natural da princesa destacou Mônaco com ainda mais classe no mapa mundi. Em sua memória e em retribuição àqueles tempos, pipocam pelas ruas da cidade totens com grandes fotos de Grace. E, sinto como se ela tivesse passado por ali há pouco.
Mônaco exala uma magia que capto em vez de imaginar.

Mônaco

O passado e o presente estão condensados no estreito espaço entre a montanha e o mar. O lado ensolarado da montanha desce suavemente até o mar. Um pouco antes de tocar o oceano, ficam os edifícios, hotéis, lojas, cassino, resorts, spas, e os palacetes. Mas, ahh, a sensação de aperto desaparece pois, diante dos meus olhos há sempre o respiro da imensidão azul do Mediterrâneo.

Mônaco

Navego agora pelas ruas que giravolteiam como fios de um novelo, e de imediato lembro as imagens das corridas de Fórmula 1. As ruas, que são também o circuito da renomada corrida, estão pontilhadas por centenas de vasos com palmeiras, arbustos e de jardineiras floridas. Dentre as flores, a predileta da Princesa Grace era a rosa. Então, em homenagem as duas, em Fontville, área tomada ao mar, há um parque, o Princess Grace Rose Garden, com mais de 4.000 roseirais e 180 diferentes variedades e cores.

Mônaco

As mesmas tonalidades quentes e suaves revestem as fachadas dos palacetes, e edifícios da cidade. É uma paleta que se baseia em combinações e gamas do tom rosa, amarelo e do frescor dos verdes. Elas podem variar do rosa salmão ao romã e do amarelo palha, passando pelo mel, ao âmbar. Todas essas cores dispostas lado a lado se intensificam com o cobre do sol poente.

Mônaco

Um dos espaços mais coloridos de Mônaco é o Marché de La Condamine, mercado ao ar livre que funciona ali desde 1880, sempre das 6:00 as 14:00 horas. Todos os dias chegam legumes, frutas, cogumelos, queijos divinos e flores. E, vou descobrindo os ingredientes que entram no preparo dos pratos mediterrâneos, enquanto noto como os moradores se relacionam. O cenário de fundo é um belo edifício rosado com muitas janelas que contrasta com os guarda-sóis e toldos vermelho vivo.

Mônaco

Ali, descubro mais cores nos macarons e outra graça ao saborear uma das iguarias monegascas – o crêpe Suzette.
A história conta que o então príncipe de Gales, curtia Mônaco e as panquecas do chef Carpentier, regadas com o recém-criado licor Grand Marnier produzido com conhaque e um tipo de laranja amarga e selvagem.
O príncipe da historinha andava de chamego por uma jovem da cidade, e a convidou para um almoço no sofisticado Café de Paris. Na hora de preparar as panquecas, o chef quis mostrar sua agilidade com as panelas, e bummm!, os ingredientes pegaram fogo. Entusiasmado com o prato pirotécnico, o príncipe quis saber seu nome. Sem perder o rebolado, Carpentier disse que criara a “princely crepes” em sua homenagem. O príncipe pediu então que se batizasse o prato com o nome de sua acompanhante Suzette.

Me despeço do principado pendurando no meu ‘móbile’ mais um significado para mim da palavra graça – as cores de Mônaco.

Mômaco

Para saber mais: www.visitmonaco

onde ficar:
Monte-Carlo Bay Hotel & Resort. Quartos espaçosos, com varanda e de frente para o mar, ou para a lagoa azul. www.montecarlobay.com
onde comer:
L´Orange Vert. 40. Av. princesse Grace, 40
Buddha Bar Monte-Carlo: ambiente e comida asiática www.buddhabar.com
A Roca. No interior do Marché de La Condamine.
como chegar:
De trem ou de carro. Mas para entrar no clima de Mônaco em alto estilo, de Nice há um serviço de helicóptero da Monacair, complementado por limusine até o hotel.
info@monacair.mc

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