De volta ao Monte Roraima
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De volta ao Monte Roraima

Karina Oliani

08 Dezembro 2017 | 10h40

Em 2012 tive a oportunidade de passar um carnaval nada convencional longe da euforia dos blocos de rua e desfiles na avenida, lembram? 

http://viagem.estadao.com.br/blogs/viajando-com-karina-oliani/aventuras-de-outros-carnavais/

Aproveitei esses quatro dias de folga e fui fazer um trekking ao Monte Roraima, que normalmente é feito em seis longos dias. Sem dúvidas, foi uma expedição rápida, onde tivemos que acelerar o passo, fizemos tudo em apenas 4 dias e por isso deixamos de conhecer algumas atrações pelo caminho…

A viagem serviu como um excelente treino, mas ainda assim voltei de lá com um gostinho de ‘quero mais’, afinal o contato que tive com a natureza dali foi muito breve.

Com a loucura das gravações, palestras, medicina e projetos sociais nunca mais tive a oportunidade de voltar para lá.  Até que, em abril deste ano, fizemos o trekking Solidário ao Everest junto ao Gente de Montanha onde arrecadamos quase 100 mil reais que contribuíram para construção de escolas no Nepal, e em um papo descontraído com Maximo Kausch (fundador do Gente de Montanha) e Andrei Polessi (meu sócio no Instituto Dharma), tivemos a ideia de transformar o Roteiro ao Monte Roraima também em um projeto de responsabilidade social que ajudaria o povo do Sertão do Piauí.

http://viagem.estadao.com.br/blogs/viajando-com-karina-oliani/trekking-solidario-ao-everest

E por que escolhemos o Monte Roraima?

Simples! Localizado na tríplice fronteira Brasil, Venezuela e Guiana é atualmente uma das montanhas mais desejadas pelos montanhistas e trekkers do país. Paisagens incríveis de grande beleza cênica, caminhadas longas, prazeirosas, além das histórias e lendas inspiradoras são os atrativos desse roteiro.

Apesar de fazer parte do Brasil, o acesso e os serviços são todos venezuelanos. A cidade base para este roteiro é a pequena Santa Elena do Uairén, localizada na fronteira com Pacaraima, Brasil. O acesso se dá por uma aldeia indígena, Paraitepuy, ponto de entrada para o Parque Nacional de Canaima onde está a montanha na Venezuela.

Com um cume de mais de 100km², sua paisagem conta com formas geológicas excêntricas como torres de pedra, cavernas, fendas profundas, cachoeiras, lagos gelados e uma vegetação um tanto exótica, quase sempre envolta em neblina por conta da diferença de temperatura do topo com o entorno da montanha.

Chegamos no fim da noite em Boa Vista e logo no dia seguinte saímos para Santa Elena de Uairén. O clima na região estava ameno, por volta dos 25ºC. Como são 220km de estrada, aproveitamos o resto da noite para descansar porque a montanha nos esperava nos próximos dias!!!

Após um delicioso café da manhã, partimos de Santa Elena de Uairén em um jipe 4×4 até a comunidade indígena Paraitepuy de Roraima, ponto mais próximo ao Tepui, até onde é permitida a entrada de veículos. Começamos a nossa caminhada de aproximadamente 5 horas (14km) para chegar ao acampamento no rio Kukenan localizado a 1.050 metros de altitude. Passamos por dois rios no caminho, montamos acampamento e descansamos.

No quarto dia saímos por volta das 08h rumo à base da montanha. Percurso de 9km com caminhada entre 4 e 5 horas de duração. Apesar de o percurso ser menor, o esforço era bem maior devido a 70% do caminho ser só de subidas. A esta altura já estávamos a 1.870 metros de altitude.

No dia seguinte caminhamos cerca de 3 horas (1,5km), seguindo caminho rumo ao topo. Caminhamos através da mata, raízes e pedras soltas. Este foi um dos momentos mais bonitos do trekking, onde paramos durante o trajeto para fotos, descanso, contemplação da paisagem. Chegamos a 2.800 metros de altitude e por essa razão a temperatura caiu consideravelmente: estava 10ºC durante o dia e apenas 5ºC à noite!

Saímos pela manhã para o Vale dos Cristais e o Ponto Triplo. Caminhamos cerca de 11km até chegar onde Venezuela, Brasil e Guiana se encontram. Logo depois seguimos para o acampamento Coati, distante 40 minutos. O Coati é um lugar enigmático, misterioso e encantador, localizado entre duas pedras enormes, onde há uma entrada como se fosse uma caverna. Neste lugar há uma espécie de jardim de inverno: uma pequena lagoa no centro, rodeado de plantas variadas, um pequeno paraíso. É um lugar bom para quem gosta do silêncio e do isolamento.

No sétimo dia de expedição, aproveitamos pra tomar um banho e fazer fotos incríveis la por perto. Um dos lugares mais lindos que clicamos foi o fosso. De difícil acesso, o local também é considerado sagrado pelos indígenas locais.

Nos dias seguintes, saímos do Hotel Coati até o sul do Monte Roraima em um percurso de 11km e depois fizemos uma caminhada de 7 horas de descidas íngremes até o acampamento Rio Tek, onde paramos para nos refrescar em uma pequena cachoeira que havia no caminho.

No décimo e último dia, levantamos acampamento e caminhamos por cerca de 4 horas até a base. Atravessamos os dois rios do primeiro dia e chegamos em Paraitepuy, onde almoçamos na Comunidade Indígena do San Francisco de Yuruaní e depois seguimos de volta para Santa Elena de Uairén.

Sem dúvidas, estar de volta ao Monte Roraima e ainda mais por uma causa tão nobre foi muito mais especial que da primeira vez! Ao contrário da viagem de 2012, pude aproveitar ao máximo cada momento e me conectar de uma forma mais intensa à natureza… Depois desta expedição, só consigo dizer uma coisa: Que venha o próximo Trekking Solidário, que será no Kilimanjaro, em agosto de 2018.

Quem vem com a gente?