Mar de plástico
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Mar de plástico

Karina Oliani

09 Fevereiro 2018 | 16h05

Até 2050, os mares terão mais peso em plástico do que em peixes.

A chamada deste texto já dá uma ideia do tamanho do problema que teremos que enfrentar num futuro próximo. O assunto é grave, incomoda, mas precisamos conversar a respeito. Nada se perde, tudo se transforma. Adoro essa afirmação. Acredito que para o equilíbrio existir, ela precisa ser verdadeira.

Todos os anos o mar recebe mais de 8 milhões de toneladas de plástico. Um número absurdo que traz consequências para a vida no oceano e também na terra. Os dados são alarmantes e preocupam as principais organizações ambientais, como o PNUMA (Programa Ambiental ds Nações Unidas) e a ocean.org.


O plástico, sem que a gente perceba, está impregnado em nosso cotidiano. Um vício que precisamos cortar o quanto antes: este material é um dos maiores vilões e poluidores do nosso quintal. Nos últimos 70 anos, a produção do plástico aumentou drasticamente. São produzidos por ano, 300 milhões de toneladas desta “matéria prima”.

O estilo de vida que temos hoje – onde tudo é “convenientemente” descartável – o plástico se encaixou perfeitamente. Pelo seu baixo custo e versatilidade, ganhou grande reconhecimento, sendo utilizado em quase todos os segmentos. E quase metade do que é produzido, é jogado fora tendo sido usado apenas uma vez. Chocante, né?

Olhando apenas para as garrafas de plástico, já é possível entender a dimensão do problema. De acordo com Container Recycling Institute, no ano de 2014, nos Estados Unidos, 315 garrafas foram vendidas por pessoa, ou seja,  100.7 bilhões de embalagens plásticas. Para se produzir uma garrafinha de um 1 litro de água, são gastos 6 litros (de água) – 5 a mais do que realmente precisávamos. Me parece óbvio o erro desta equação.

O PNUMA alerta que apenas 10% do lixo no oceano não consiste em plástico!
Até 2050, os mares terão mais peso em plástico do que em peixes, segundo a fundação Ellen McArthur. Todo esse lixo é responsável pela morte de milhões de animais.
Claro, temos a reciclagem que poderia combater o problema, mas não esta sendo uma solução muito eficiente. Apenas 9% de todo o plástico produzido desde a década 1950, foi reciclado.

A realidade é que não vemos para onde vão os nossos lixos e por isso, abstraímos esse problema. Países como a Suécia, tem planos e medidas tão eficientes que eles chegam a importar lixo de outros lugares para geração de energia. Isso porque até o lixo tem o seu valor. O Brasil, por outro lado, empurra para debaixo do tapete, literalmente.

Aterros sanitários não resolvem o problema, só pioram. Estamos bem em cima do aquífero Guarani, e o chorume destes aterros, uma hora vai fatalmente contaminar nosso maior tesouro: nossa água.

Claro, existe uma lei para prevenir essa contaminação, uma lei que exige impermeabilização do solo. No entanto isso dura pouco e não 100% seguro. Isso sem falar que não é tão raro haver explosões que causam acidentes e até mortes nesses aterros.
A possibilidade de contaminação por produtos químicos é real, já tivemos inúmeros exemplos de ruptura da camada protetora que comprovam a ineficácia desse método ultrapassado.

Outro fator problemático desse dejeto é que o microplástico – as pequenas partículas de plástico que vão se formando ao longo dos anos –, absorve com muita facilidade poluentes que se encontram no mar. Por consequência da cadeia alimentar, esses poluentes chegam a nossa boca, ao nosso estômago e percorre até nossos órgãos e tecidos.

Como médica e alguém que esta estudando o assunto, alerto: estamos sendo contaminados de uma maneira mais grave do que podemos imaginar!

Recentemente fui convidada a ser embaixadora no Brasil da Ocean.org. Dessa forma poderei dar voz a essa causa tão importante e pela qual tenho uma preocupação especial. Mergulho desde os 12 anos. Meu ambiente favorito é o mar.

A visão dessa organização é que para o mundo ser saudável, obrigatoriamente seus oceanos  precisam ser saudáveis. Apesar disto ser tão óbvio, estamos caminhando a largos passos na contramão. A missão é inspirar a comunidade global, aumentar a compreensão e apreciação pelo nossos oceanos.

Então, como podemos fazer a diferença?

Radicalizar e cortar completamente o plástico do nosso dia a dia é muito difícil e desistiríamos facilmente da tentativa. No entanto, pequenas mudanças, já fazem diferença. Quanto menos plástico usarmos, menos irá parar no oceano. Vou dar seis dicas completamente viáveis pra qualquer pessoa e que farão uma enorme diferença:

1. Use um filtro de água na sua casa e no seu escritório e EVITE comprar agua em garrafas plásticas;

2. Ande com sua caneca estilosa ou sua garrafinha metálica pra onde for e dê o exemplo. Diga não a plásticos que serão usados uma única vez. No mundo, 500 milhões de garrafas plásticas são usadas diariamente.

3. Na hora de congelar ou guardar alimentos na geladeira, prefira um recipiente de vidro. Além de facilitar na hora de aquecer, o vidro dificilmente ficará manchado ou com odores desagradáveis.

4. Sacolinhas de supermercado: existem muitas opções para fazer a troca, as mais comuns são de pano. Sacolas retornáveis são melhores, mais práticas para carregar tudo e até mais bonitas. Basta sempre deixar no carro ou perto da porta de casa para não esquecer. Um trilhão de sacolinhas são descartadas mundialmente, por ano.

5. Voltar um pouquinho no tempo e repensar o uso desenfreado das fraldas descartáveis. Trocas-Trocas-las pelas de pano, que podem ser lavadas e utilizadas novamente. Só no Estados Unidos, 27,4 bilhões de fraldas são jogadas fora todo ano.

6. Num ano, jogamos fora bilhões de laminas de barbear descartáveis. Há muitos produtos que obtém resultados até melhores sem fazer tanto estrago ao meio ambiente.

Estas são apenas algumas dicas, mas aos poucos, vou postar mais informações e sugestões aqui para quebrarmos antigos hábitos, que podem ser muito prejudiciais ao nosso meio ambiente. O oceano precisa de atenção, precisa de cuidado e ainda há tempo de ajudarmos. Se você acredita também, me ajude a espalhar essas ideias.

Fotos de banco de imagens – uso livre