O “balé” das arraias
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O “balé” das arraias

O silêncio do oceano e apenas algumas luzes iluminando os movimentos graciosos de umas das criaturas mais lindas que tive o prazer de ver. Um brinde aos olhos e ao coração!

Karina Oliani

08 Abril 2016 | 15h06

Quem me conhece sabe como sou apaixonada pelo oceano. Sempre gostei de nadar, surfar e, mais ainda, de conhecer e estudar as diferentes criaturas que habitam a imensidão azul, como as arraias mantas – também conhecidas como peixe-diabo, morcego do mar ou jamanta – um dos maiores peixes do mundo, podendo chegar a oito metros de envergadura e pesar mais de duas toneladas. O desafio da vez era fazer um mergulho noturno com arraias mantas e observar sua beleza e imponência bem de perto.

Arraia_Manta
Não foi a primeira vez que mergulhei à noite e nem o meu primeiro nado com arraias. Já havia encontrado esses animais em outros mergulhos no passado. Mas, desta vez, foi mágico. A combinação da escuridão do mar, no meio da noite, e as luzes das nossas lanternas criou um ambiente especial. Nunca tinha visto tantas arraias mantas juntas. O mais incrível é observar aqueles animais gigantescos, se movimentando com tanta suavidade, como uma bailarina, graciosa, nos transmitindo paz e brindando nossos olhos com um espetáculo da natureza. Duvido que outra pessoa ali pudesse ter uma percepção diferente.

É simplesmente espetacular!

Karina_Arraias_2


Na verdade, o mundo conhece as arraias mantas por causa do Havaí, sabiam? Décadas atrás, foi construído um grande hotel, próximo à costa e, como era muito iluminado, acabou atraindo zooplanctons, alimento natural das arraias, que também começaram a frequentar aquelas águas. Com seus movimentos lentos e graciosos, os hóspedes ficavam encantados com esse “balé” e a notícia se espalhou pelo mundo.

Apesar de impressionar com o tamanho do corpo, as mantas não possuem ferrões, espinhos ou outra forma de defesa. Sua única proteção é seu corpo gigantesco. Infelizmente, essa espécie está classificada como vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), principalmente pela sua lenta capacidade de reprodução, pesca excessiva e por captura acidental por redes de espinhéis e emalhe.

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É interessante que o estudo desse animal é muito recente. Só em 2009, os cientistas descobriram que existiam duas espécies de arraias mantas: uma de recife e uma oceânica. Atualmente, existe uma pesquisa em andamento para comprovar a existência de uma terceira espécie de arraias mantas. Eu, obviamente, vou continuar acompanhando de perto este assunto, para mapear e descobrir mais curiosidades sobre essa criatura incrível.

O espetáculo foi das arraias, mas a reverência e gratidão sempre será nossa, pela oportunidade de vivenciar este momento!