Sem os tubarões, os oceanos ficariam doentes!
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Sem os tubarões, os oceanos ficariam doentes!

Com o objetivo de chamar a atenção do mundo sobre a extinção dos tubarões, convidei o fotógrafo Alexandre Socci para uma sessão de fotos subaquática ao lado dessas criaturas espetaculares

Karina Oliani

04 Abril 2016 | 15h18

De acordo com um estudo do Marine Policy, o principal veículo de pesquisas sobre os oceanos e a vida marinha, cerca de 11.000 tubarões são mortos por hora em todo o mundo. Por outro lado, os ataques fatais por parte desses animais, que são o topo da cadeia alimentar dos oceanos, só chegam a 10 pessoas por ano.

Esses ataques, apesar de esporádicos, possuem uma explicação plausível. As vítimas de tais acidentes, na realidade, são confundidas com outros animais, principalmente em águas mais turvas. A “mordida investigatória” nada mais é do que um engano, no qual os tubarões percebem que a pessoa não é comida e vão embora.

Sou mergulhadora desde os 12 anos, quando tirei minha primeira certificação. Inclusive, meu primeiro emprego foi justamente na industria do mergulho. Aos 19 anos, já me tornara instrutora de mergulho. Durante 2015, viajei para gravar uma série chamada Águas Selvagens, para o Canal OFF e, em um dos episódios, convidei o fotógrafo e amigo, Alexandre Socci, para uma sessão de fotos subaquática, com o objetivo de alertar a sociedade quanto à caça irracional desses animais marinhos, que tanto são importantes para o equilíbrio dos oceanos.

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O cenário escolhido era um “santuário” de tubarões: as Bahamas. As peças usadas para o ensaio são do renomado estilista paulista, Arthur Caliman, que nos presenteou com vestidos lindos, longos e que se sobressaíam no fundo do mar. Foi um desafio enorme, principalmente por posar para fotos mergulhando utilizando um cinto de lastro (equipamento de mergulho que nos impede de subir à superfície), sem ar, sem máscara e rodeada por dezenas de tubarões, mas tudo isso foi contornado, graças ao apoio que tive de uma equipe muito experiente e que garantiu o sucesso da nossa aventura.

Liz Parkinson, uma experiente alimentadora de tubarões da equipe Stuart Cove, me carregou ja vestida e com 5 kgs de lastro na cintura, compartilhando seu ar comigo, até a profundidade de 18 metros. Sem nadadeira, sem ver, com as caudas dos vestidos impedindo meus movimentos e, às vezes, dentro de um naufrágio, passei um dia inteiro em pleno inverno, de olhos abertos por muitas horas na agua salgada, prendendo a respiração por 1 a 2 minutos por vez para que Alexandre tivesse tempo de se posicionar e os tubarões estarem na posição correta em busca da “foto perfeita”.

Foram mais de 2.500 fotos feitas em um dia!

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Em uma situação indefesa e sem proteção, esse ensaio provou que os tubarões não são assassinos de homens. Esses animais estão na superfície da Terra ha mais de 400 milhões de anos. Ao invés de me devorar, o maior predador do oceano estava ali comigo, interagindo pacificamente e quase que posando para as fotos, como que se quisesse pedir socorro.

Todos os anos, estima-se que 100 milhões de tubaroes são mortos pela industria pesqueira. Um número assustador e que excede a capacidade de qualquer população se recuperar. Sem tubarões, os oceanos entram em desequilíbrio e adoecem.

Temos que parar com essa matança indiscriminada, URGENTE!