Um ano após um dos maiores terremotos da história da região, o Nepal ressurge!
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Um ano após um dos maiores terremotos da história da região, o Nepal ressurge!

Após saber dessa tragédia, botei a mochila nas costas e me dirigi ao Nepal, para ajudar na reconstrução do país. Um ano depois, tudo está diferente!

Karina Oliani

29 Abril 2016 | 18h54

Um ano atrás, uma catástrofe aconteceu no Nepal e me deixou com o coração extremamente angustiado. Acordei, tentei ligar pra todos os meus amigos, não consegui notícias ou contato com ninguém. A mesma coisa que me levou algumas vezes para esse país também tinha causado esse massacre. O fato do Nepal se encontrar em cima da junção da placa eurasiana e indiana criou uma das cordilheiras mais lindas e a mais alta do mundo.

A causa dos tremores na região é a junção das placas tectônicas da Índia e da Eurásia, que ficam sob a região do Himalaia. A placa tectônica indiana está se movendo para o norte, sob a placa tectônica da Eurásia, a uma taxa de 4,5 centímetros por ano, em um processo que é conhecido como “thrust fault” e é fenômeno que constrói a Cordilheira do Himalaia!

Karina_Cordilheira

O Nepal é considerado um dos países de maior atividade sísmica do planeta. Nos últimos oitenta anos, quatro terremotos, com magnitude maior do que 6.0 na escala Richter, aconteceram em um raio de 250 km do epicentro do de hoje, acarretando danos generalizados e a perda de milhares de vidas. O mais devastador de todos aconteceu em 1934, com uma magnitude de 8.0 que matou cerca de 10.500 pessoas, transformando a capital Kathmandu em destroços.


Parecia que o Nepal não saía da minha cabeça. Sou médica, e sempre fui uma pessoa de fazer e não esperar acontecer…Acredito que as oportunidades somos nós quem criamos! E que se o mundo não está da maneira que queremos, mais efetivo do que reclamar e lamentar é tentarmos fazer algo que comece a mudar o que nos incomoda. Não pensei duas vezes, fiz minhas malas e parti para uma jornada, onde minhas habilidades médicas e de resgate em áreas remotas seriam mais valiosas.

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Enquanto finalizava os últimos detalhes, um alívio! Meu amigo nepalês, que em 2013 comemorou o cume da maior montanha do mundo comigo, Pemba Sherpa, finalmente deu sinais de vida em sua rede social. A foto dele acampando com a família e seus quatro filhos pequenos, em meio aos tremores secundários era de cortar o coração, mas, ao menos, ele estava vivo e minha alegria era como se um amigo tivesse renascido.

Já no aeroporto de Kathmandu, eu e mais uma equipe de médicos brasileiros fomos recebidos por Pemba que, mesmo no meio de uma situação caótica, se prontificou a fazer parte da nossa equipe, que necessitava de um líder local como ele para sobreviver em um país de cultura e língua tão diferentes.

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Como Kathmandu já tinha médicos e socorro suficientes, decidimos nos deslocar para vilarejos remotos e isolados nas montanhas dos himalaias, que careciam de assistência básica ou médica. Nos reunimos com a embaixadora do Brasil, Maria Teresa, para estudar alguma possibilidade de oficializar uma equipe brasileira que pudesse ser maior e estar mais bem equipada para colaborar com o Nepal nesse momento de tragédia.

Seis horas e apenas 50km para frente chegávamos no que seria nosso acampamento base. A ordem era clara: dois médicos e um Sherpa (local) deveriam se deslocar rapidamente e alcançar as quatro vilas que estavam 1.500m acima de Timbu. Sabíamos que tínhamos que ser auto-suficientes mas não tínhamos nenhuma certeza do que encontraríamos pela frente.

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Durante os atendimentos, percebi que Pemba não só nos ajudava com as injeções, medicações e curativos, como também prontamente nos ajudou achando um lugar para montarmos nossa barraca, que, aliás, foi a mesma que eu e ele moramos, por meses, durante nossa expedição ao Everest.

Toda nossa atenção se voltou às pessoas que precisavam de nós e quando nos demos conta não tínhamos percebido que ganhamos 1.500m de elevação em apenas um dia. Totalmente não recomendado em medicina de montanha, mas era preciso. Por isso sempre dizem que nós médicos somos os piores pacientes! Faça o que falamos, mas não faça o que fazemos.

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Foram dias difíceis, mas extremamente realizadores! Apesar de tudo, essa tragédia me mostrou uma nova “face” deste país: a capacidade impressionante de se reerguer e que me surpreendeu pela sua força de vontade e luta!

Meses depois, lancei um projeto de crowdfunding, o Dharma Project, que tinha o objetivo de captar recursos para a construção de uma escola no Nepal, que está saindo do papel e virando realidade. Antes disso, em 2013, contribuí para levar água encanada e saneamento à comunidade em que meu parceiro Pemba nasceu. Tenho um carinho muito especial pelo Nepal e ações como essas me enchem de orgulho, pois posso ver nitidamente o sorriso das pessoas e o brilho em seus olhos, semelhante àquele que fazemos, ao ganhar algo especial.

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Um ano depois, o Nepal se reergueu!

Veja esse vídeo emocionante (legenda em inglês), que mostra a força desse povo lindo, que emana boas energias e nos deixa com um ensinamento: se, mesmo após uma tragédia, o Nepal se reconstruiu, por que nós também não podemos mudar a sociedade em que vivemos?

Só depende de nós!

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