Volvo Ocean Race Itajaí: você já superou seus limites hoje?
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Volvo Ocean Race Itajaí: você já superou seus limites hoje?

Karina Oliani

27 Abril 2018 | 09h30

Vamos falar sobre regata? Quando os rios Pinheiros e Tietê ainda eram limpos, eram lugares famosos onde se praticava muito. Tenho certeza que seus avós lembram com saudades daqueles tempos onde até banho se tomava sem preocupações com aquelas águas. Como assim “praticava” e não “vestia”? Se você teve um nó na cabeça, provavelmente é porque pensou na peça de roupa. A regata que me refiro é um esporte que envolve uma competição de barcos a vela ou a remo. Pode parecer óbvio para muita gente, mas temos que pensar que apesar do nosso litoral ser imenso, há muitas cidades no nosso país distantes do mar ou sem rios. Ninguém é obrigado a saber de tudo, mas sempre é bom descobrir coisas novas.

 

A coluna de hoje vamos “descobrir” sobre a regata mais longa, antiga e famosa do mundo: a Volvo Ocean Race! #partiu?

 


 

Pergunta para qualquer velejador qual a regata mais importante do planeta. Tenho certeza que mencionarão este nome por ser considerado um dos desafios físico e mental mais complexos que se tem notícia. A Volvo Ocean Race teve a largada em outubro do ano passado em Alicante (na Espanha). O destino seguinte foi Lisboa (Portugal). Cada trecho desses que as velas percorrem são chamados de “pernas” (legs) algumas delas podendo durar até três semanas em alto mar. As pernas seguintes passaram pela Cidade do Cabo (África do Sul), Melbourne (Austrália), Hong Kong, Guangzhou (China), Auckland (Nova Zelândia) e nos últimos dias 5 a 22 a parada foi a cidade catarinense de Itajaí.

 

Eu estava lá em Santa Catarina para conferir de perto o que rolou neste evento de esporte, aventura, sustentabilidade e, acima de tudo, superação.

 

 

Cada barco é chamado de veleiro e tem dimensão de 65 pés (19,812 metros). No total são sete veleiros na disputa que só se encerrará em Haia (Holanda) em julho deste ano, passando ainda por  Newport (Estados Unidos), Cardiff (País de Gales) e Gotemburgo (Suécia). Cada embarcação dessas pode levar até sete tripulantes, cada um com uma função específica a bordo. Mas o número pode aumentar se houver alguma mulher a bordo e, praticamente, todas elas possuem representantes do sexo feminino. Há características específicas em cada veleiro para gerar equidade na disputa. Cada vela tem uma cor diferente e todas possuem patrocinadores. Não é um esporte barato, pois cada veleiro custa cerca de 5 milhões.  De euros!

 

Apesar da cifra milionária no que a imprensa chama de “Fórmula 1 dos mares”, os veleiros têm em comum de não terem um item básico: chuveiro. Os tripulantes só tomam banho se chove, aproveitando toda a água doce que cai na vela para tirar a salinidade do corpo depois de dias em meio ao mar. Mas ficar sem banho é o menor de todos os perrengues. Desde 1973 quando foi realizada a primeira prova – ainda sob o nome de Whitbread Round the World Race -, a Volvo Ocean Race é aquela ocasião em que durante a competição os atletas ficam em constante tensão de redefinir os limites do que é possível ou não.

 

Aliás, existe o impossível? Era a pergunta que eu me fazia quando eu fui uma das três únicas convidadas a me integrar em uma das tripulações de um veleiro. Cheguei a participar, inclusive, de provas valendo pontos à equipe. Se em uma experiência breve cheguei a esses tipos de questionamentos, imagina essa galera que trabalha unida, mas ao mesmo tempo tem que lidar com questões tão pessoais isolados em alto-mar. Estar em meio à imensidão do oceano concentrados em tarefas para fazer a embarcação ter o melhor desempenho não impede a gente de pensar e refletir sobre nossa vida, sobretudo na distância com as famílias. Muitos velejadores, assim que chegam nos destinos e tem algumas semanas de descanso, voam pra casa para encontrar suas esposas, maridos e filhos nem que seja por poucos dias.

 

Além de ter participado de algumas provas, me envolvi em outras ações do evento. Participei de três TED Talk com a Volvo Brasil, depois marquei presença em uma ação com o tema que envolveu a preocupante presença crescente de plásticos nos oceanos que está causando consequências desastrosas para todo o ecossistema. Tomei a frente de coordenar um beach cleaning promovido pela marca em parceria com algumas ONGs locais na Praia das Cabeçudas.

 

Juntamente com cerca de 50 voluntários fiz uma catação de lixos muito legal. O que mais me chamou a atenção é que essa praia tinha acabado de ser varrida pelos garis da prefeitura e aparentemente estava muito limpa. Porem ao começarmos a rastelar, vimos que na mais límpida areia havia muitas bitucas de cigarro e pequenos fragmentos de plásticos escondidos, o famoso vilão apelidado de micro plástico.

 

Até cheguei a postar nas minhas mídias sociais imagens da gente peneirando areia de praia para conseguir encontrar plástico.

E não foi pouco como você pode ver aqui!

 

Eu tenho o maior orgulho de ser embaixadora da Volvo no Brasil que acredita no meu trabalho de conscientização ecológica e na premissa que nós somos agente transformadores do nosso entorno. Esse ano a Volvo também vai apoiar a ação medica do Instituto Dharma no sertão.

 

Mas o que mais me emocionou foi ver que a Volvo não apenas falou, eles fizeram: Chegaram ao ponto de banir copos plásticos em todos os dias da programação! Todos eram retornáveis. Imaginem o quanto deixamos de poluir o planeta com essa simples atitude.

 

Teve um dia que cheguei no Volvo Ocean Race e, confesso, me joguei em uma benesse de ser portadora de um título desses: fui uma das primeiras pessoas a fazer um test-drive no XC-40, o mais novo veículo da Volvo que foi lançado no Brasil em solo catarinense.

 

Eu confesso que pirei tanto que embarquei em uma ideia da Volvo: enquanto as equipes dos sete veleiros percorrem de Itajaí até Newport por mar, uma equipe minha da Pitaya Filmes juntamente com o piloto Caca Clauset, está fazendo o mesmo trecho, mas por terra a bordo de um Volvo XC-40. O encontro dos que fizeram o trecho vias marítima e terrestre será mostrado em breve no Fox Sports.

 

 

 

O momento “valeu a pena” de toda essa minha aventura foi ver a sinergia entre o objetivo da Volvo Ocean Race – que é disseminar uma mensagem de sustentabilidade no planeta – com a Prefeitura de Itajaí. Essa linda cidade catarinense foi o primeiro município brasileiro a assinar o Manifesto Clean Seas: Turn The Tide on Plastic (algo como “Mares Limpos: o mar não está para plástico” em tradução livre) na presença do presidente da empresa sueca de automóveis e da gerente da ONU Meio Ambiente, Fernanda Daltro. Estes três tiveram toda a atenção de oportunizarem visitas guiadas para cerca de 10 mil estudantes da região que percorreram o que foi chamado de “estações educacionais” que usavam de tecnologia e interatividade para melhor compreensão das mensagens para despertar a consciência ambiental que tanto precisamos.

 

Tudo o que testemunhei junto com as 434 mil pessoas que passaram pela Volvo Ocean Race Itajaí fez eu aumentar a minha crença de que tudo é questão de referência: a coragem e o foco dos velejadores, a manifestação de que precisamos cuidar do lugar onde vivemos, quem aquele lixo que jogamos na rua um dia cobrará um preço caro demais… Mas eu sou uma otimista tão incorrigível que eu acredito até em coisas inimagináveis como, por exemplo, meus netos tomando banho no Tietê ou praticando regata em um Pinheiros. Ambos rios recuperados, limpos de novo. Temos no passado algo que mostra que isso é possível: referências! Nós a perdemos, mas temos uma chance de resgatá-la.

 

Fiquei orgulhosa de ter essas reflexões no meu próprio país, sem precisar embarcar mundo afora. É muito mais que legal. É lindo de se ver. Mas acima de tudo, inspirador. Fica a pergunta para vocês, meus leitores, se inspirando nos velejadores: quais são os seus limites? Vamos superá-los, vencer e aprender com essas lições!

 

 

 

Fotos

Marcelo Rabelo