A ideia por trás de um nome

A ideia por trás de um nome

Bruna Tiussu

16 Março 2018 | 16h06

A linda Jesca, aluna da quinta-série da Bright School. Foto: Bruna Tiussu

Na Tanzânia, não foi diferente: passei os dois meses prestando atenção — e achando graça, em vários casos — nos nomes das pessoas.

Como nos outros países africanos pelos quais passei, ali também está cheio de criança com nomes bíblicos. Ou que têm alguma relação com religião, como Divine, Happyness, Glory, Justice, Blessing, entre outros.

Também há muita gente batizada com nomes aleatórios mundialmente conhecidos na língua inglesa. Porém, escritos numa versão tanzaniana, por assim dizer. Jessica vira Jesca; enquanto Jeniffer vira Jenifa. É muito demais!


A estrutura patriarcal do país também fica evidente no nome das kids. No lugar do sobrenome elas carregam o primeiro nome do pai. E só. A mãe não aparece — como em tantos outros lugares mundo afora. No caso das mulheres casadas, elas ainda incluem o primeiro nome do marido antes do do pai. Dominação masculina total.

Na prova de matemática a assinatura da aluna: seu nome seguido do nome do pai. Foto: Bruna Tiussu

Outro ponto que chamou minha atenção desde o início é que na Tanzânia todas as mulheres são chamadas de “mama”. O que parece bem fofinho à primeira vista. À primeira vista, porque logo o tom machista da lógica toda começa a incomodar.

Explico: a mulher, depois que vira mãe, passa a ser chamada de “mama + nome do filho(a)”. A Juliana, idealizadora da escola, por exemplo, é a Mama Brightness; a Mary, nossa vizinha, é a Mama Ruty. Se eu pergunto para alguém sobre a Juliana ou a Mary, pouquíssimas pessoas sabem sobre quem eu estou falando.

Mary, mais conhecida como Mama Ruty, com sua filha. Foto: Bruna Tiussu

É como se a maternidade fosse muito mais importante que a individualidade de cada uma delas. Tão mais importante que chega a esconder suas identidades. Talvez seja um exagero meu, mas a questão de fato me incomodou.

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