África do Oceano Índico

África do Oceano Índico

Bruna Tiussu

09 Janeiro 2018 | 08h09

Prédio com estilo árabe no centro de Dar. Foto: Bruna Tiussu

O trânsito pesado na entrada da cidade se enquadrava no padrão das metrópoles africanas pelas quais passei. Mas as placas escritas só em Swahili, não. Tampouco as mulheres escondidas dentro de suas burcas e os homens em suas túnicas.

Dar es Salaam, a maior e mais populosa cidade da Tanzânia — mas não sua capital, que é Dodoma — foi meu primeiro destino africano com pés, mãos e cabeça no mundo árabe.

Um cenário que começou a ser desenhado na época colonial. Apesar de serem terras sob domínio britânico, povos do Golfo Pérsico e de Omã tomaram conta de toda a parte costeira da atual Tanzânia, incluindo seu mais famoso arquipélago: Zanzibar.


Transformaram a região em entreposto comercial, trouxeram sua religião e o modo de vida islâmico. E continuam presentes hoje, influenciando da economia à política.

Em Dar, antigos edifícios de arquitetura árabe, com aquelas lindas portas de madeira maciça, e mesquitas de todos os tamanhos compõem seu landscape. Vê-se kids com uniformes em que a burca é item mandatório e famílias de raízes árabes misturadas às de raízes nativas.

Mbezi Beach, em Dar es Salaam. Foto: Bruna Tiussu

Banhada pelas águas inacreditavelmente límpidas do Oceano Índico, Dar tem belas praias, frequentadas por gente “cheia de roupas”. É algo que nós, brasileiros viva-o-mar-o-sol-e-o-biquíni, temos de nos atentar, pois é fácil ofender os locais com nossa moda praiana.

Já dentro dos grandes hotéis, valem as regras ocidentais. Moldados sobretudo para viajantes europeus, eles possuem restaurantes servindo clássicas receitas de frutos do mar e bebidas alcoólicas — algo difícil de se comprar nas ruas e nos supermercados –, lojinhas com preços para turistas e músicas pop.

Neles, a língua onipresente passa a ser o inglês. Não fosse o “karibu” na entrada (bem-vindo, em swahili) e o “asante sana” na saída (muito obrigado), daria facilmente para pensar que não se está na África. Dar foi também o primeiro destino em que tive a impressão de ter sido teletransportada. Para uma praia do Caribe ou mesmo para nosso litoral alagoano.

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