Água? Só na fonte

Água? Só na fonte

Bruna Tiussu

27 Novembro 2017 | 13h55

Mulheres fazem fila para pegar água num poço gratuito. Foto: Eduardo Asta


“How do you fetch water in Brazil?”, perguntou o motorista de táxi. Respondi que não temos de buscar água, pelo menos aonde eu vivo. A gente simplesmente abre a torneira e lá está ela, vinda pelo sistema de abastecimento público.

Foi então que me dei conta de que antes da África eu nunca havia usado o verbo “fetching”. Aqui, nos lugares em que já passei, ele é diariamente tão usado quanto “cooking” e “washing”, por exemplo.

Estava em Hoima quando o taxista me fez a pergunta. Um município localizado no oeste de Uganda, região com rios caudalosos e o enorme Lake Albert. Água, portanto, há. O que falta mesmo é um meio de distribuição mais abrangente.

Galões amarelos sao vistos em todos os cantos das cidades. Foto: Eduardo Asta

De cidade em cidade, galões amarelos são itens onipresentes nas portas das casas e comércios. É com eles que as pessoas buscam água nos rios/lagos, poços ou torneiras — às vezes gratuitas, às vezes pagas.

Essa tarefa é reservada sobretudo às mulheres e crianças, da mesma forma como eu via em Gana (leia aqui). Elas carregam um galão na cabeça e outro (às vezes dois) nas mãos. Haja força e equilíbrio.

A tarefa de buscar água é das mulheres e das crianças. Foto: Eduardo Asta

Em algumas casas Uganda afora também se vê caixas d’água de plástico ou cimento estrategicamente instaladas para coletar água da chuva. O que funciona muito bem no sul, onde a estação chuvosa é realmente molhada, e um pouco menos no resto do país, onde as chuvas são mais escassas.

Assim, vale a regra da economia. Ugandenses em sua maioria passam a vida “fetching water”. E quando você tem de ir buscar algo, aprende rapidinho a usá-lo com parcimônia.