Bagunça para o bem e para o mal

Bagunça para o bem e para o mal

Bruna Tiussu

18 Setembro 2017 | 14h53

A típica multidão do Kejetia Market, em Kumasi. Foto: Bruna Tiussu


Se há uma lei que mudaria a cara das grandes cidades ganenses é a Cidade Limpa. É impressionante como Kumasi e Acra, por exemplo, têm um índice de poluição visual que chega a incomodar.

São outdoors anunciando produtos, lojas, eventos cristãos — pastores são como celebridades nos pôsteres — e velórios, com retratos bem caprichados dos falecidos — para os ganenses, os funerais são eventos super importantes e celebrados em tom de festa.

Pôster de eventos cristãos estão por todos os lados. Foto: Bruna Tiussu

Há ainda a bagunça multicolorida dos mercados incrementando o cenário. Bagunça que faz parte da identidade local, é bom dizer, mas que também cansa os olhos. Enormes guarda-chuvas tortamente enfileirados, caixas e mais caixas pelos cantos, ruas tomadas de mercadorias e muita, muita gente andando de um lado para o outro.

Essa poluição visual ganha também a companhia da sonora. Existe uma mistura louca de buzinas, “mates” (é o nome dos cobradores dos trotros) anunciando o destino de seus carros, vendedores chamando clientes para suas barracas e pastores espalhando a palavra de Deus com um microfone e uma caixa de som.

Logo que aqui cheguei, ficava tão atordoada com esse monte de informação que sempre me perdia no Kejetia Market, o mercado de Kumasi. E ficava perambulando tentando achar um caminho que me tirasse dali.

Parte do mercado de Acra visto de cima. Foto: Bruna Tiussu

Depois comecei a me sentir mais “em casa” nessa baguncinha. Hoje até gosto dela. Mas definitivamente é melhor quando se pode escolher quando vivencia-la. Nessas horas penso como tive sorte de ter caído aqui em Afrancho. Ainda existe certa paz visual e sonora no subúrbio ganense.